Arquivo virtual da Geração de Orpheu

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14E – 92
BNP/E3, 14E – 92
Fernando Pessoa
Identificação
Swinburne

[BNP/E3, 14E – 92]

 

Swinburne

Não é a sensualidade de |Musset| franca e juvenil. Não é a indecência (ligeiramente histérica) de Lord Byron, que indecência como que espumosa, efervescência manifestada em excesso de vida. Nem é a obscenidade de Voltaire, em quem a potência física não estava à altura da sensualidade, de maneira que precisava desabafar em[1] indecências escritas. Nada disto. A sensualidade swinburniana é pegajosa, azeitada, |licorosa|, xarópica. É uma sensualidade pesada e sombria como aquelas que geralmente têm por acompanhamento físico o onanismo. É a sensualidade vulgar, se não chegando aos cérebros místicos, nos cérebros confusos, que a fraqueza da inibição condena a perpétua confusão mental e à tona das quais surgem, boiando indolentemente, as |coisas| dos impulsos do psiquismo inferior – impulsos medulares {…} – destrambelhamento do mental sexual, aberrações {…}

 

 

[1] em /com\

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/3870
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Pauly Ellen Bothe, Apreciações literárias de Fernando Pessoa, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2013, p. 272.