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Fernando Pessoa
Cota
BNP/E3, 14-6 – 65-67
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[Sobre o belo]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre o belo]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 146 – 65-67]

 

The beautiful, the truly beautiful can provoke no other idea but that of good “I would” said Goethe “if I had here before me the head of Jupiter Olympian” feel a better man.

This influence of the beautiful can best be seen in music where the beautiful is made to be associated with any other idea. The greater adulation etc etc love of beauty or of liberty there pass or {…} a little etc So says Mr. † and he says truly. But to deduce from that art is independent of morality is to judge unphilosophically.

Genius must be ever the mental quality required to give worth to a work of art.

 

[66r-66ar]

 

The work of † contains no genius; it is merely good. But had it been entirely bad it were entirely worthless. Mr. Swinburne confounds beauty of idea with beauty of expression and of form, and errs thereby. It is evident, since in any work of art, in any work considered as a work of art, there are 3 things: Idea, Expression and Form – that for a poem to be beautiful it must have beauty in all these 3: Idea, expression and form. What beauty in form and in the expressing of an idea is or know; but what is beauty in the Idea of a poem? – What aesthetical beauty {…}

 

[66v-66av][1]

 

There is likewise a relation between Truth and Beauty. For instance a poem however beautiful where a child should be expressed with the sentiments of an old man would be bad because untrue.

 

[67r-67ar]

 

Beauty is the basis and the end of all poetry. But this beauty is three-fold, beauty of the idea, beauty of the expression, beauty of the form – of the verse in itself that is, of the music of it, or of the rhyme.

Mr. Swinburne’s idea of art is based on a misconception, on a hasty and inaccurate consideration and reasoning. He speaks of, refers to only beauty of form, as absolute beauty of poetry. He takes a part for the whole.

Immoral art is art without beauty. The ideas of good, of true and of beautiful are intimately connected. A poem in which the idea was beauty but not good is like a line which is unreal but has grammatical errors.

 

 

[BNP/E3, 146 – 65-67]

 

O belo, o verdadeiramente belo não pode suscitar outra ideia senão a do bem. “Eu” disse Goethe “se tivesse aqui diante de mim a cabeça de Júpiter olímpico” sentir-me-ia um homem melhor.

Esta influência do belo pode ser melhor vista na música, onde o belo é feito para ser associado a qualquer outra ideia. A maior adulação etc etc amor da beleza ou da liberdade aí passa ou {…} um pouco etc Assim diz o Sr. † e ele diz com verdade. Mas deduzir que a arte é independente da moralidade é julgar não filosoficamente.

O génio deve ser sempre a qualidade mental necessária para dar valor a uma obra de arte. 

 

[66r-66ar]

 

A obra de † não contém nenhum génio; é meramente bom. Mas se fosse totalmente má, seria totalmente inútil. O Sr. Swinburne confunde a beleza da ideia com a beleza da expressão e da forma, e assim erra. É evidente, pois em qualquer obra de arte, em qualquer obra considerada como obra de arte, existem 3 coisas: Ideia, Expressão e Forma – que para um poema ser belo deve ter beleza em todas estas 3: Ideia, expressão e forma. Que beleza na forma e na expressão de uma ideia é ou sabe; mas o que é beleza na Ideia de um poema? – Que beleza estética {…} 

 

[66v-66av]

 

Há também uma relação entre Verdade e Beleza. Por exemplo, um poema, por mais bonito que seja, em que uma criança seja expressa com os sentimentos de um velho, seria mau porque falso. 

 

[67r-67ar]

 

A beleza é a base e o fim de toda poesia. Mas esta beleza é tripla, beleza da ideia, beleza da expressão, beleza da forma – do verso em si, isto é, da música dele, ou da rima.

A ideia de arte do Sr. Swinburne é baseada num equívoco, numa consideração e raciocínio apressados ​​e imprecisos. Ele fala de, refere-se apenas à beleza da forma, como a beleza absoluta da poesia. Ele toma uma parte pelo todo.

Arte imoral é arte sem beleza. As ideias do bom, do verdadeiro e do belo estão intimamente ligadas. Um poema em que a ideia seja bela, mas não boa, é como um verso irreal, mas com erros gramaticais.

 

 

 

[1] August, 1906:

  1. “The Voyage.” (poem). at least 30 stanzas.
  2. “The Door”. (tale). entirely.
  3. “Essay on Poetry” (humorous) entirely.

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September 1st to September 10th:

  1. Detective Story – Continued.
  2. {…}
  3. {…}

 

Notas de edição

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Inglês

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Biblioteca Nacional de Portugal
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Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Publicação parcial: Fernando Pessoa, Escritos sobre Génio e Loucura, edição de Jerónimo Pizarro, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2006, pp. 491; 904.
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