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Fundo
Fernando Pessoa
Cota
BNP/E3, 14-4 – 11
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[Sobre o teatro]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre o teatro]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 144 – 11]

 

Parece impossível, mas há gente que escreve para o teatro.

Refiro-me ao processo perverso de escrever com o intuito secreto e reservado de que as peças se representam. Omito o caso dos curiosos-natos que talham peças para o vestuário psicológico [de] determinados actores, refiro-me apenas ao dos curiosos-de-ocasião, que praticam peças com o fim de as verem cometidas em alma. É vício tão espalhado que não há parte que não tenha na alma um livro tapado com a alma de escrever uma peça em verso, nem romancista que não sonhe ver criações suas cinzeladas e esculpidas pelo ente que anda nos palcos.

Se a educação moderna, e especialmente a educação dos grandes países cultos, que começa sempre por escrever a ler e não acaba nunca por escrever a pensar, fora de ordem a incutir hábitos de lucidez, e uma das coisas que acabaria, como indigno da arte, era o teatro, e então apareceriam enfim os grandes dramas análogos, que estão à espera apenas de que desapareçam os autores para poderem ter razão para os escrever. En-

 

[11v]

 

quanto um autor dramático correr o risco de que lhe representemos as peças, será difícil convencê-lo, ou a escrever, ou, se já escrever, a tirar da gaveta, os seus dramas ou poemas dramáticos.

Não falo já nas perniciosas consequências secundárias que advêm da prática de escrever para o teatro. Basta o criar-se uma dependência dos actores e empresários, ou quando cair do céu não houver isto, pelo menos basta o dar aos actores a importância de os julgar artistas e de os tratar por conseguinte, como aproximadamente iguais. Daí resultados como o da carta que um francês que representa e se chama †, ou coisa parecida, se permitiu escrever em tom desrespeitoso para Paul Bourget. Eu não tenho por Paul Bourget sequer uma admiração que me leve a mão ao chapéu, mas sempre julgo lamentável que um homem de letras como ele, sujando-se de escrever peças, tenha criado uma sátira tal que um mero vendedor de gesto e de atitudes, pudesse sequer pensar em, não só se lhe dirigir como a um igual mas escreve-lhe até, como a alguém que se pode dizer censuras.

 

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Classificação

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Literatura
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Português

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