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Fernando Pessoa
Cota
BNP/E3, 14C – 82
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[Sobre Macaulay]
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Autor
Fernando Pessoa

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Titulo
[Sobre Macaulay]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 14C – 82]

 

Macaulay when he speaks of Shelley says that the poet saw concretely and so glorified them the tenets of atheism the philosophy, and this philosophy he calls cold. He is right and wrong. Atheism is cold, but it is not colder than theism or deism or any other thing of the kind. All human philosophy is cold. It cannot be otherwise than cold. For human philosophies, whereof one to each thinking man and one – if it be not none – to the others, are all attempts to solve the problem of the Unknown, which is not capable of solution. All such self-deceptions of human thought are cold; because clearly or instinctively, man knows well how little they are satisfactory, how feeble death’s hand, their grip on the undreamed truth.

When Macaulay says the tenets of atheistic philosophy are cold, with what does he contrast them? What creed does he think is not cold? Christianity, no doubt. But Christianity in itself, with its dead God, with its heaven and hell is all cold, and yet fearful besides cold; there is more than emptiness and its horror in it – there is another horror. There is not only the desolation of the {…} but also the shudder of Pascal. Was it this that Macaulay held

 

[82v]

 

warm to the aspiring heart. No, never; it cannot be. No; Macaulay was thinking warmly of the cold Christian creed; he was thinking of it as most men think pondering on it, half-mindedly. {…} And he, Macaulay, who thus thought never reasoned that this is the same process that Shelley made atheistic philosophy pass through – that of concretion. The popular mind makes the dreams concrete things and this has a rude poetry therein.

Human philosophies can only cease to be cold when they cease to be examined when their hollowness will disappear. So that that lack of close examination is precisely what produces the concretion.

Dr. Nabos, will you have a drink?

 

 

[BNP/E3, 14C - 82]

 

Quando Macaulay fala de Shelley diz que o poeta viu concretamente e assim glorificou os dogmas do ateísmo, a filosofia, e a esta filosofia ele chama de fria. Ele está certo e errado. O ateísmo é frio, mas não é mais frio do que o teísmo ou deísmo ou qualquer outra coisa do tipo. Toda a filosofia humana é fria. Não pode ser diferente de algo frio. Pois as filosofias humanas, das quais uma para cada homem pensante e uma - se não for nenhuma - para os outros, são todas tentativas de resolver o problema do Desconhecido, que não tem solução. Todos esses auto-enganos do pensamento humano são frios; porque clara ou instintivamente, o homem sabe bem quão pouco eles são satisfatórios, quão débil a mão da morte e o seu domínio sobre a verdade não sonhada.

Quando Macaulay diz que os princípios da filosofia ateísta são frios, com o que é que ele os compara? Que credo ele acha que não é frio? O cristianismo, sem dúvida. Mas o Cristianismo em si mesmo, com o seu Deus morto, com o seu céu e inferno é inteiramente frio, e ainda terrível para além de frio; há mais do que o vazio e o seu horror nele - há outro horror. Existe não só a desolação de {…}, mas também o estremecimento de Pascal. Foi isso que Macaulay considerou

 

[82v]

 

quente para as aspirações do coração. Não nunca; não pode ser. Não; Macaulay estava a pensar calorosamente sobre a fria crença cristã; ele estava a pensar nisso como a maioria dos homens pensa ao ponderar sobre isso, indiferentemente. {…} E ele, Macaulay, que assim pensava nunca raciocinou que este é o mesmo processo pelo qual Shelley fez passar a filosofia ateísta - o da concretização. A mente popular torna os sonhos coisas concretas e isso contém uma rude poesia.

As filosofias humanas só podem deixar de ser frias quando deixam de ser examinadas quando o seu vazio desaparece. De modo que essa falta de exame atento é exactamente o que produz a concretização.

Dr. Nabos, aceita uma bebida?

 

 

Notas de edição

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Inglês

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Biblioteca Nacional de Portugal
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Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Pauly Ellen Bothe, Apreciações literárias de Fernando Pessoa, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2013, p. 174.
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