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Almada em exposição no MNAA
Almada em exposição no MNAA

Inaugura no próximo dia 15 de Outubro, no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, a exposição "Almada Negreiros e os Painéis – um retábulo imaginado para o Mosteiro da Batalha", comissariada pelo investigador Simão Palmeirim.

Nesta mostra podem ser vistas algumas obras inéditas de Almada Negreiros relacionadas com uma interpretação geométrica de várias pinturas antigas, entre elas os Painéis de São Vicente, que toda a vida fascinaram o artista. 

Durante décadas, Almada dedicou-se a uma investigação sobre a disposição de mais de uma dezena de pinturas num só grande retábulo, que afirmava ter sido projetado para o Mosteiro da Batalha, resultando desses seus estudos uma vasta produção artística, parte dela também agora em processo de restauro.

Pela primeira vez, segundo o investigador, serão apresentadas duas obras de grande dimensão, completas, que aliam fotografia, desenho, e materiais têxteis, bem como alguns estudos preparatórios do artista.

Esta exposição é complementada por uma outra, dedicada ao mesmo tema, no próprio Mosteiro da Batalha, a inaugurar na mesma altura, sob o título "Almada Negreiros e o Mosteiro da Batalha - quinze pinturas primitivas num retábulo imaginado".

Na parede para a qual Almada projetou a disposição do retábulo por ele imaginado, na Capela do Fundador do Mosteiro, serão colocadas reproduções à escala real das obras do MNAA e, na mesma capela, serão expostas várias maquetes e desenhos inéditos do modernista português.

"É significativo que seja possível apresentar estas exposições com obras inéditas sobre os painéis, 50 anos após a morte de Almada, e, ao mesmo tempo, os painéis que tanto o fascinaram voltam a ser restaurados, ao fim de mais de 100 anos", comentou o investigador que é membro de um dos centros ligados ao projeto Modernismo.pt, ativo desde 2013.

Em conjunto com Pedro Freitas, matemático de formação, Simão Palmeirim, com formação em belas artes, dedicaram-se a estudar todo este trabalho de Almada, que contém uma grande componente de geometria e mistura vários suportes artísticos, nomeadamente desenho, pintura, fotografia, e materiais como madeira e fios de algodão.

Em conversas com os diretores do MNAA e do Mosteiro da Batalha surgiu a proposta de realizar as duas exposições em parceria, para dar a conhecer ao público um conjunto de obras que revelam o pensamento e vocabulário geométrico de um dos mais importantes modernistas portugueses.

"A teoria de Almada sobre os painéis é complexa, mas o que nos importa é mostrar o trabalho plástico que ele desenvolveu com base nas suas ideias", salientou Simão Palmeirim à Lusa.

As obras que os investigadores estudaram são provenientes do espólio do artista que se encontra à guarda das netas, Rita e Catarina Almada Negreiros, que "de forma muito generosa as têm cedido para serem estudadas e restauradas no âmbito do projeto modernismo.pt".

Simão Palmeirim e Pedro Freitas são investigadores de centros universitários que trabalham com o Projeto Modernismo.pt, respetivamente, do Centro de Investigação e de Estudos de Belas-Artes (CIEBA)/Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) da Universidade de Lisboa.

Ambas as exposições vão ser acompanhadas pela edição de catálogo autónomo, com textos que resultam da recente investigação sobre o tema.