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Fernando Pessoa
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BNP/E3, 14-4 – 62-64
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[Sobre literatura portuguesa: apontamentos para um prefácio]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre literatura portuguesa: apontamentos para um prefácio]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 144 – 62-64]

 

The purpose of this anthology is to present to the English reader, in a manner[1] as literal as possible, the entire pageant of Portuguese poetical literature. Care has been taken to choose both the most perfect and the most representative poems. The various phases and currents of the Portuguese mind, as reflected in |its| literature, have been taken into account, the chief sample being to gather, from each phase or current, its capital or typical poems. No criterion but this has been adopted and for this reason this naturally includes poems from the early song-books and also poems from the futurist or sensationist movement, because there are typical and perfect songs in the song-books and there are typical and perfect poems in the Sensationists. It is a long way from the simple lines of the medieval countries to the good Triumphal Ode of the semi-futuristic whitmanist Álvaro de Campos, but both are poetry, both are perfect poetry, and both

 

[62v]

 

represent phases of the Portuguese mental history. So both have been understandingly inserted.

The translators opinion of futurism, for instance, is of no importance to this; for, whatever that opinion be, only a solid exclusive vision could deny the Triumphal Ode to be great poetry, and only an equally solid, though opposite exclusive vision would arrest other Futurist composition to be worthy of inclusion by the side of that modern masterpiece.

Representativeness and excellence have been carefully, even severely, balanced in the selection. Poems worried merely represent certain phases of the Portuguese mind, but attain to no anthological level, have not been inserted; merely perfect poems which convey no specialist of imperious or erect have been † is excluded.

Portuguese poetry is real enough to stand this test:

(There are greater poets than Cesário Verde who are not as abundantly represented, Garrett, for instance.

 

[63r]

 

It speaks volumes for the lack of aesthetic sense, natural or cultured, on the part of the so-called educated class in Portugal such a masterpiece as the Ode Triumphal of Álvaro de Campo should have been taken as a generally ridiculous piece and for nonsense. Everyone can see the comic side of its onomatopes, but for one grasp the originality of the inspiration, the imperfect song of the meter, the perfect meter of the paragraphs, and the strong unity of composition which stamps the “decadent” who wrote it as a formidably classical brain, for, if anything be classical, it is the power to write with order, |*intent| and unity.

 

[64r]

 

Pre-Romanticism:

José Anastácio da Cunha: {…}

Bocage: {…}

Garção: Cantata de Dido (?)

Marília de Dirceu.

 

Romanticism:

Garrett: Some lyrics (caught to some extent the spent of the song-books)

Herculano: {…}

Soares de Passos: O Firmamento.

                (Ai adeus.)…

                (etc.)

António Molarinho: Maria Manuela

(I know no poem so perfect in its kind as this heart-rending one. It is so simple a child can feel it; so cleverly worked that only the artist can feel its workmanship to the full).

João de Lemos: Lua de Londres.

              (Coimbra).

Tomás Ribeiro:

The “busting of Castilla” is no more poetry than “Armada”, but the same reasons which would form an anthologist to insert Macaulay’s poem in a selection of English poems, compel |us|[2] to include Tomás Ribeiro’s extract in this anthology.

 

[64v]

 

Pre-romanticism

Romanticism:

(1) 1st Phase – eg Garrett.

(2) 2nd Phase – eg. Lemos, J. de Passos.

(3) 3rd Phase – {…} (?)

 

Escola de Coimbra:

(1) Pantheism (Antero).

(2) Republicanism (G. Junqueiro A. Leal)

(3) {…}

 

An Objectivist: Cesário Verde.

 

 

[BNP/E3, 144 – 62-64]

 

O objectivo desta antologia é apresentar ao leitor inglês, da maneira mais literal possível, todo o espectáculo da literatura poética portuguesa. Tomou-se o cuidado de escolher os poemas mais perfeitos e mais representativos. As várias fases e correntes da mente portuguesa, tais como se reflectem na |sua| literatura, foram levadas em consideração, a principal amostra sendo reunir, de cada fase ou corrente, os seus poemas típicos ou principais. Este foi o único critério adoptado e por isso naturalmente inclui poemas dos primeiros cancioneiros e também poemas do movimento futurista ou sensacionista, porque há canções típicas e perfeitas nos cancioneiros e há poemas típicos e perfeitos nos Sensacionistas. É um longo caminho o que vai desde as linhas simples dos países medievais à boa Ode Triunfal do semi-futurista whitmaniano Álvaro de Campos, mas ambos são poesia, ambos são poesia perfeita, e ambos 

 

[62v]

 

representam fases da história mental portuguesa. Portanto, ambos foram compreensivamente inseridos.

A opinião dos tradutores sobre o futurismo, por exemplo, não tem importância para isso; pois, qualquer que seja essa opinião, apenas uma visão exclusiva sólida poderia negar que a Ode Triunfal é uma grande poesia, e apenas uma visão igualmente sólida, embora exclusivamente oposta faria com que outra composição futurista fosse digna de inclusão ao lado dessa obra-prima moderna.

Representatividade e excelência foram cuidadosamente, até mesmo severamente, equilibradas na selecção. Poemas aborrecidos que representam apenas certas fases da mente portuguesa, mas não atingem nível antológico, não foram inseridos; poemas meramente perfeitos que não transmitem a nenhum especialista algo imperioso ou erigido foram † excluídos.

A poesia portuguesa é real o suficiente para resistir a este teste:

(Existem poetas maiores do que Cesário Verde que não são tão bem representados, Garrett, por exemplo.)

 

[63r]

 

Fala muito pela falta de sentido estético, natural ou culto, por parte da chamada classe culta em Portugal, uma obra-prima como a Ode Triunfal de Álvaro de Campo deveria ser tomada como uma peça geralmente ridícula e sem sentido. Todos podem ver o lado cómico das suas onomatopeias, mas percebemos a originalidade da inspiração, a canção imperfeita da métrica, a métrica perfeita dos parágrafos e a forte unidade de composição que marca o "decadente" que o escreveu como um cérebro formidavelmente clássico, pois, se alguma coisa for clássica, é o poder de escrever com ordem, |*intenção| e unidade.

 

[64r]

 

Pré-Romantismo:

José Anastácio da Cunha: {…}

Bocage: {…}

Garção: Cantata de Dido (?)

Marília de Dirceu. 

 

Romantismo:

Garrett: Alguns poemas líricos (captaram em certa medida os cancioneiros)

Herculano: {…}

Soares de Passos: O Firmamento.

                (Ai adeus.)…

                (etc.)

António Molarinho: Maria Manuela

(Não conheço nenhum poema tão perfeito no seu género como este poema comovente. É tão simples que uma criança pode senti-lo; tão habilmente trabalhado que só o artista pode sentir a sua obra ao máximo).

João de Lemos: Lua de Londres.

              (Coimbra).

Tomás Ribeiro:

A “dominação de Castela” não é mais poesia do que “Armada”, mas as mesmas razões que fariam um antologista inserir o poema de Macaulay numa selecção de poemas ingleses, levam-|nos| a incluir o excerto de Tomás Ribeiro nesta antologia. 

 

[64v]

 

Pré-romantismo

Romantismo:

(1) 1ª fase - por exemplo, Garrett.

(2) 2ª fase - por exemplo. Lemos, J. de Passos.

(3) 3ª Fase - {…} (?) 

Escola de Coimbra:

(1) Panteísmo (Antero).

(2) Republicanismo (G. Junqueiro A. Leal)

(3) {…} 

 

Um Objectivista: Cesário Verde.

 

[1] manner /translation\

[2] |us|/me\

Notas de edição

Classificação

Categoria
Literatura
Subcategoria

Dados Físicos

Descrição Material
Dimensões
Legendas

Dados de produção

Data
Notas à data
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Idioma
Inglês

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