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Fundo
Fernando Pessoa
Cota
BNP/E3, 14C – 40
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[Sobre Omar Khayyam]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre Omar Khayyam]
Titulos atríbuidos
Idioma
Inglês
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 14C – 40]

 

The saying of the scholiast, that we weary of all except of understanding, seems at first a futile thing, if not a false one. It becomes true, and luminous, only when we consider that by understanding understanding is really meant – not thinking, not understanding for a practical purpose, not understanding to learn or to teach, but the simple understanding of understanding.

 

It is no easy thing and it is a terrible one, for it comes at the end of all weariness and is the only thing between us and the wish for death. The scholiast’s sense of understanding is the same as Omar’s sense of wine. The normal man drinks either because he is thirsty, or because he craves for drink, or because he is happy or because drink is a medicine to him. The normal man understands either because he wants to know, or because he wants to be learned, or because he is happy in earning, or because he wants to cure himself of ignorance and its evils. But Omar drank because that was all that was left. The scholiast understood because that was all that was left, as another, struck with paralysis, might look on things, for sight had been left to him – not to see for sight’s sake but for life’s sake.

 

 

[BNP/E3, 14C – 40]

 

O dito do escoliasta, de que nos cansamos de tudo, excepto de compreender, parece à primeira vista uma coisa fútil, senão falsa. Torna-se verdadeiro e luminoso apenas quando consideramos que por compreender se pretende realmente significar compreender - não pensar, não compreender para um propósito prático, não compreender para aprender ou ensinar, mas o simples compreender de compreender.

 

Não é algo fácil e é terrível, pois vem no fim de todo o cansaço e é a única coisa entre nós e o desejo de morte. O sentido de compreender para o escoliasta é o mesmo que o sentido do vinho para Omar. O homem normal bebe ou porque tem sede, ou porque anseia por beber, ou porque está feliz, ou porque a bebida é um remédio para ele. O homem normal compreende ou porque quer saber, ou porque quer ser instruído, ou porque tem prazer em ganhar, ou porque quer se curar da ignorância e dos seus males. Mas Omar bebia porque era tudo o que restava. O escoliasta compreendia porque isso era tudo o que restava, como outro, atingido pela paralisia, poderia olhar para as coisas, pois a visão havia-lhe sido deixada - não para ver por causa da vista, mas por causa da vida.

Notas de edição

Classificação

Categoria
Literatura
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Dados Físicos

Legendas

Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Rubaiyat, Edição de Maria Aliete Galhoz, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008, p. 75.

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