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Fernando Pessoa
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BNP/E3, 14A – 1-3
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[Sobre o poema “Antinous”]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre o poema “Antinous”]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 14A – 1-3]

 

My poem is held to be immoral and the objections to its being immoral are obviously of 3 kinds. Because it is immoral, it is said to be a bad poem, bad aesthetically; the beauty it may have is held to be lessened by its being immoral. Because immoral it is held to be unprintable, pernicious reading, likely to influence to evil. And, lastly, it is simply held to be bad because immoral, the objection to its immorality being simply and directly its immorality.

I propose to refute these objections severally and in their total – to prove first that even if my poem were immoral and pernicious to reading, that would not matter to its beauty, whatever

 

[2r]

 

that may be; to prove, secondly, that, even if it were ugly and immoral, it would not have any pernicious influence at all; to prove, lastly, that it is not immoral at all.

As the tenor of the preceding paragraph sufficiently suggests, I shall, in the whole course of the argument, give the adversary all advantages. Thus, though I shall prove that my poem is not immoral, I shall when proving that its “immorality” in no way affects its aesthetic value, willingly, though angrily, concede to the antagonist that it is immoral and that its influence is pernicious. And, though I shall prove that it is not objectionable as a work of art nor immoral at all, I shall, when refuting the contention that it is

 

[3r]

  

an evil influence or has the power to be such, admit, though that is false, that it is possibly objectionable as a work of art and possibly an immoral poem. [Finally, though I shall have by then proved that my poem is neither objectionable as a work of art or as a power to influence, I shall, when examining its morality, leave these points out of the question.]

[Only when, finally, I shall come to prove that the poem is not immoral at all, I cannot concede to the adversary that, though immoral, that matters mostly to its beauty, and, though evil, that matters mostly to its influence; for, as I shall then be proving it to be moral, that cannot be conceded, which, besides being here dispensed, is at issue in the very substance of the question then to be examined.]

 

 

[BNP/E3, 14A – 1-3]

 

O meu poema é considerado imoral e as objecções a ele ser imoral são obviamente de 3 tipos. Por ser imoral, é considerado um mau poema, esteticamente mau; a beleza que possa ter é diminuída por ser imoral. Por ser imoral, é considerada uma leitura inimprimível e perniciosa, propensa a influenciar para o mal. E, por último, é simplesmente considerado mau porque imoral, sendo a objecção à sua imoralidade simples e directamente a sua imoralidade.

Proponho-me refutar estas objecções separadamente e no seu todo - para provar primeiramente que mesmo que o meu poema fosse imoral e pernicioso para a leitura, isso não importaria para a sua beleza, o que quer que

 

[2r]

 

isso seja; para provar, em segundo lugar, que, mesmo que fosse feio e imoral, não teria nenhuma influência perniciosa; para provar, por fim, que não é de forma alguma imoral.

Como o teor do anterior parágrafo suficientemente sugere, deverei, no curso da integralidade do argumento, conceder ao adversário todas as vantagens. Assim, apesar de eu dever provar que o meu poema não é imoral, deverei, ao provar que a sua “imoralidade” em nada afecta o seu valor estético, conceder de boa vontade, embora com ira, ao antagonista que é imoral e que a sua influência é perniciosa. E, embora eu deva provar que não é questionável como uma obra de arte nem de todo imoral, deverei, ao refutar a alegação de que é

 

[3r]

 

uma má influência ou tem o poder de ser tal, admitir, embora isso seja falso, que é possivelmente questionável como uma obra de arte e possivelmente um poema imoral. [Finalmente, embora eu já tenha provado que o meu poema não é questionável como obra de arte nem pelo seu poder de influenciar, deverei, ao examinar a sua moralidade, deixar esses pontos fora da questão.]

[Só quando, por fim, vier a provar que o poema não é de forma alguma imoral, não poderei conceder ao adversário que, embora imoral, isso importe principalmente para a sua beleza, e, embora mau, isso importe principalmente para a sua influência; pois, como então deverei provar que é moral, isso não pode ser concedido, o que, além de ser aqui dispensado, está em causa na própria substância da questão que então será examinada.]

 

Notas de edição

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Inglês

Dados de conservação

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Biblioteca Nacional de Portugal
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Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Poemas Ingleses, Tomo I, Edição de João Dionísio, Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1993, pp. 131-132.
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