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Fundo
Fernando Pessoa
Cota
BNP-E3, 18 – 116
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[Sobre o actor e a representação]
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
[Sobre o actor e a representação]
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 18 – 116r]

 

The basis of acting is misrepresentation. The art of the actor consists in employing the author’s drama in showing his acting ability upon it. The piece is like a bar where on the actor shows his gymnastic abilities. He is only limited by the necessary conditions of a bar: he can do only a limited number of things with it, but those he can do in a thousand individual ways.

Acting, again, has all the attraction of forgery. We all love a forger. It is a very human and a quite instinctive sentiment. We all adore trickery and counterfeit. Acting unites and intensifies, through the material and vital character of its manifestations, all the low instincts of the artistic instinct – the riddle-instinct, the trapeze-instinct, the prostitute-instinct. It is popular and appreciated for these reasons, or, rather, for this reason.

 

The artist’s thirst for glory is made flesh in the actor’s thirst for applause. All appearance before people is low. All assemblies are crowds, and if not sweaty in body, at least sweaty in emotions.

 

All coarse minds adore speech. To be wordy is itself vulgar. The only thing that renders wordiness interesting is profanity and obscenity, for these things are “in character” therewith. Wordiness without dirty words and coarse phrases is feminine and therefore vulgar.

 

[BNP/E3, 18 – 116r]

 

A base da actuação é o ludíbrio. A arte do actor consiste em empregar o drama do autor, mostrando a sua capacidade de actuação de acordo com ele. A peça é como uma barra onde o actor mostra as suas habilidades de ginástica. Ele encontra-se apenas limitado pelas condições necessárias de uma barra: ele apenas pode fazer um número limitado de coisas com ela, mas consegue fazê-las de milhares de formas individuais.

A actuação, mais uma vez, tem todos os atractivos da falsificação. Todos amamos um forjador. É um sentimento muito humano e bastante instintivo. Todos adoramos truques e falsificações. A actuação reúne e intensifica, por meio do carácter material e vital das suas manifestações, todos os baixos instintos do instinto artístico – o instinto do enigma, o instinto do trapézio, o instinto da prostituta. É popular e apreciado por estas razões ou antes por esta razão.

 

A sede do artista por glória materializa-se na sede do actor por aplauso. Toda a aparição pública é baixa. Todas as assembleias são multidões e, se não forem suadas no corpo, são-no pelo menos nas emoções.

 

Todas as mentes rudes adoram discursos. Ser falador é em si vulgar. A única coisa que torna o falatório interessante é a profanidade e a obscenidade, pois estas coisas encontram-se “no carácter” em conformidade com isso. O falatório sem palavras sujas e frases rudes é feminino e, portanto, vulgar.

 

Notas de edição

Classificação

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Literatura
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Dados Físicos

Descrição Material
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Legendas

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Idioma
Português

Dados de conservação

Local de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Estado de conservação
Proprietário
Historial

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Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Edições Ática, 1966, p. 114.
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