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USELESSNESS OF CRITICISM
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
USELESSNESS OF CRITICISM
Titulos atríbuidos
Notas de edição
Idioma
Inglês
Edição

[BNP/E3, 18 – 42]

 

USELESSNESS OF CRITICISM.

 

That good work always comes to the fore is a worthless affirmation if it apply to really good work and by “coming to the fore” it refer to acceptance in its own time. That good work always comes to the fore on the course of its futurity, is true; that second rate good work always comes to the fore in its own age, is also true.

 

For how is a critic to judge? What are the qualities that make, not the casual, but the competent critic? A knowledge of past art or literature, a taste refined by that knowledge, and an impartial and judicious spirit. Anything less than that is fatal to the true play of the critical faculties. Anything more than that is already creative spirit, and therefore individuality; and individuality means self-centredness, and a certain imperviousness to the work of others.

How competent, however, is the competent critic? Let us suppose a deeply original work of art comes before his eyes. How does he judge it? By comparison with the works of art of the past. If it be original, however, it will depart in something – and the more original the more it will depart – from the works of art of the past. In so far as it does this, it will seem not to conform to the aesthetic canon which the critic finds established in his mind. And if its originality, instead of lying in a departure from those old standards, lie in a use of them on more severely constructive lines – as Milton used the ancients – will the critic take that bettering to be a bettering, or the use of those standards to be an imitation? Will he rather see the builder than the user of the building materials? Why should he rather do one thing than the better other? Of all elements, constructiveness is the most difficult to determine in a work.............. A fusion of past elements... Will the critic see the fusion or the elements?

 

Does anyone persuade himself that if “Paradise Lost” were published to-day, or “Hamlet”, or Shakespeare’s or Milton’s Sonnets, they would be rated above Mr. Kipling’s poetry, or Mr. Noyes’, or that of any other similarly quotidian gentleman? If anyone persuades himself of that, he is a fool. The expression is short, not sweet, but it is meant only to be true.

 

On every side we hear the cry that the age needs a great poet. The central hollowness of all modern achievement is a thing rather felt than spoken about..... If the great poet were to appear, who would be where to notice him? Who can say whether he has not already appeared? The reading public sees in the papers notices of the work of those men whose influence and friendships have made them known, or whose secondariness has made them accepted of the crowd. The great poet may have appeared already; his work will have been noticed in a few “vient-de-paraître” words in some bibliographic summary of a critical paper.

 

[BNP/E3, 18 – 42]

 

INUTILIDADE DA CRÍTICA.

 

Que um bom trabalho sempre se destaca é uma afirmação sem valor se for aplicada a uma obra realmente boa e se por “destacar-se” nos referirmos à aceitação no seu próprio tempo. Que uma boa obra sempre se destaca no decurso da sua futuridade, é verdade; que uma boa obra de segunda categoria sempre se destaca na sua época, também é verdade.

Pois como deverá um crítico julgar? Quais são as qualidades que fazem de um crítico, não casual, mas competente? Um conhecimento da anterior arte ou literatura, um gosto refinado por esse conhecimento e um espírito imparcial e judicioso. Menos do que isto é fatal para o verdadeiro jogo das faculdades críticas. Mais do que isto já é espírito criativo e, portanto, individualidade; uma individualidade significa egocentrismo e uma certa impermeabilidade à obra dos outros.

Quão competente é, no entanto, o crítico competente? Suponhamos que uma obra de arte profundamente original se apresenta aos seus olhos. Como é que a julga? Por comparação com as obras de arte do passado. Se for original, contudo, distanciar-se-á em algo – e quanto mais original tanto mais se distanciará – das obras de arte do passado. Na medida em que isto acontece, não parecerá conformar-se com o cânone estético que o crítico tem estabelecido na sua mente. E se a sua originalidade, em vez de residir no distanciamento desses velhos parâmetros, se encontrar num uso destes em linhas mais severamente construtivas – tal como Milton usou os antigos – será que o crítico apreenderá o aperfeiçoamento como aperfeiçoamento ou o uso desses parâmetros como uma imitação? Verá ele mais o construtor do que os materiais de construção? Porque fará ele mais uma coisa do que a outra melhor? De todos os elementos, o elemento construtivo é o mais difícil de determinar numa obra.............. Uma fusão de elementos do passado... Verá o crítico a fusão ou os elementos?

Persuadir-se-á alguém de que se o “Paraíso Perdido” fosse publicado hoje, ou “Hamlet”, ou os sonetos de Shakespeare e de Milton, eles seriam julgados superiores à poesia de Mr. Kipling, ou de Mr. Noyes, ou à de algum outro cavalheiro igualmente quotidiano? Se alguém se persuadir disso, será um tolo. A expressão é curta, não doce, mas pretende apenas ser verdadeira.

 

Por todo o lado ouvimos o grito de que a época necessita de um grande poeta. O vazio central de todo o empreendimento moderno é algo mais sentido do que dito.... Se o grande poeta aparecesse, quem o conseguiria constatar? Quem poderá dizer se ele não apareceu já? O público leitor vê nos jornais notícias das obras daqueles homens cuja influência e amizades os tornaram conhecidos, ou cujo carácter secundário os tornou aceites pela multidão. O grande poeta pode já ter aparecido; a sua obra terá sido notada por algumas palavras “acabadas de publicar” em algum resumo bibliográfico de um jornal crítico.

 

Classificação

Categoria
Literatura
Subcategoria
Crítica

Dados Físicos

Legendas

Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Edições Ática, 1966, pp. 44-46.

Dados de produção

Cota
BNP-E3, 18 – 42
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