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The Detective Story
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
The Detective Story
Titulos atríbuidos
Notas de edição
Idioma
Inglês
Edição

[BNP/E3, 100 – 30]

 

The Detective Story.

 

Coincidence is always disastrous, but it is peculiarly irritating when, as indeed sometimes happens, it is unnecessary. The classic case[1] in this respect is in Poe’s Murders in the Rue Morgue, where a unique assortment of foreigners happens to be passing the house where the crime is committed. And mere Frenchmen, each supposing a different language to be muttered, would have amply and naturally served the author’s purpose. One foreigner, perhaps, would not have been scandalous, {…}

 

Putting all the facts before the reader means really putting them all before the reader, even if the order and the significance are veiled in the narrator’s version. What is inadmissible is Dr. Freeman’s position of one of his Thorndyke short stories, where Jervis puts the facts and enumerates the clinical possibilities but overlooks one of the diseases which fit the case – the one which, of course, does really fit and solve it. A physician may certainly overlook a clinical hypothesis, but not in the position of a detective story, unless the story is meant to be read solely by physicians, who are competent to see the lapse. 

 

Orczy

(e.g. {…})

Some of her stories are widely improbable; some are made improbable by minor details which could have been eliminated without any damage to the mystery or to its solution. On a whole, however, they are excellently contrived and they are certainly written in the right spirit. [Some are really masterly as detective stories – The York Mystery {…}]

 

Some detective stories derive their interest from an interest other than that as detective stories. What are some Sherlock Holmes tales – The Lost Three-Quarters, Charles Augustus Milverton, and a few others – but anything but detective narratives?

 

Dr. Freeman is always readable but “A Certain Dr. Thorndyke” could have been told in fifty pages. It is really a tale of adventure with a detective story postscript. The same criminal proceeding spans “A Study in Scarlet” from which the American narrative could have been struck out or condensed in a paragraph or two.

 

 

[BNP/E3, 100 – 30]

 

A História Policial.

 

A coincidência é sempre desastrosa, mas é particularmente irritante quando, como efectivamente acontece algumas vezes, é desnecessária. O caso clássico a este respeito é The Murders in the Rue Morgue de Poe, onde ocorre que um conjunto invulgar de estrangeiros está a passar pela casa onde o crime foi cometido. E uns meros franceses, supondo-se que cada um murmurava uma língua diferente, teria ampla e naturalmente servido o propósito do autor. Um estrangeiro talvez não tivesse sido escandaloso, {…}

 

Colocar todos os factos diante do leitor significa realmente colocá-los a todos diante do leitor, mesmo que a ordem e o significado estejam velados na versão do narrador. O que é inadmissível é a posição do Dr. Freeman em um dos seus contos, onde Jervis apresenta os factos e enumera as possibilidades clínicas, mas ignora uma das doenças que se adequa ao caso – aquela que, é claro, se lhe adequa e o resolve. Um físico pode certamente ignorar uma hipótese clínica, mas não na perspectiva de uma história policial, a menos que a história deva ser lida apenas por físicos que sejam competentes para ver o lapso.

 

Orczy

(e. g. {…})

Algumas das histórias dela são muito improváveis; algumas tornam-se improváveis por pequenos detalhes que poderiam ser eliminados sem prejuízo para o mistério ou para a sua solução. No todo, contudo, elas são excelentemente idealizadas e são certamente escritas no espírito correcto. [Algumas são realmente magistrais enquanto histórias policiais – The York Mystery {…}]

 

Algumas histórias policiais derivam o seu interesse de um interesse diferente da história policial. O que são algumas histórias de Sherlock Holmes - The Lost Three-Quarters, Charles Augustus Milverton, e algumas outras – a não ser narrativas policiais?

 

O Dr. Freeman é sempre legível, mas “A Certain Dr. Thorndyke” poderia ter sido contada em cinquenta páginas. É realmente uma história de aventura com uma história policial pós-escrita. O mesmo processo criminoso abrange “A Study in Scarlet”, de que a narrativa americana poderia ter sido eliminada ou condensada em um ou dois parágrafos.

 

 

[1] case /lapse\

Classificação

Categoria
Literatura
Subcategoria
Genologia

Dados Físicos

Legendas

Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Histórias de um Raciocinador e o Ensaio «História Policial», edição e tradução de Ana Maria Freitas, Lisboa, Assírio & Alvim, 2012, pp. 239-240.

Dados de produção

Cota
BNP-E3, 100 – 30
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