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Fernando Pessoa
Cota
BNP/E3, 14-5 – 90-90a
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Filologia.
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
Filologia.
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[BNP/E3, 145 – 90-90a]

 

Filologia.

Vamos hoje encerrar as classes sobre a arte literária, etc.

Há † estética.

Muitos dizem que à estética falta toda a base científica quando não é fundada sobre a psicologia. Estética não é 1 ciência normativa. Os cânones que se tentam estabelecer etc. O estudo destas tendências gerais é importante. Esta estética puramente psicológica pode dizer-se que abstrai da obra para considerar o indivíduo. Na filosofia da estética publicado sob a autoria do Professor Segal, possível defensor extremo da estética não normativa. A estética estuda só ao acontecimento estético. Nós passamos o espírito da lógica. Examinemos se o objecto foi estudado com método.

A moral (como a lógica) é uma ciência normativa. Há 1 concordância fundamental entre as morais dos povos cultos. Os sistemas da moral divergem geralmente é nos argumentos. Por exemplo a escola utilitária, concordando com as outras escolas, apresenta combinando argumentos[1] pelos quais se podem ter como más acções verdadeiramente más.

Nós não podemos ordenar a origem que sinta que uma coisa é bela ou que não sinta. (Há muita gente que se prepara para admirar as coisas antes de as ver – “ia admirar” diz-se. Muita gente traz já in potentia, senão meio in acto os ahs e os Ohs AS) Como se pode estabelecer o valor da obra. Pelas maiorias? Não. As maiorias erram. As

 

[90v]

 

multidões têm menos valor que cada uma das pessoas que as formam. Não há nada que tenha menos senso, que seja pior que uma maioria. Daí a dominação das multidões pelos oradores. E nem se chegam a entender a eles mesmos. Dizia um senhor inglês † seria que Castellar nunca tinha tido noção do que ele próprio dizia, e era verdadeiro. Plebiscitos para se ler quais melhores autores de 1 país, ainda com dependência estranha da opinião pública. De que havemos pois de depender para ver o valor da obra?

Ao passar que as individualidades se acentua mais mais ele se particulariza na sua -------- Pode 1 indivíduo ter uma vida ter uma individualmente______ Wagner era Espírito criterioso em artes ter tido uma faculdade mais da apreciação, {…}

É sempre bom examinar se a ordenação da {…} A obra de arte tem mais valor quanto maior é a sua {…}

Laplace diz-se que não compreendia como muita gente podia ir ao teatro e rir numa peça de Racine.

Atribui-se a Platão: “O belo é o esplendor da verdade.”

Em que consistirá portanto a ordem estética? É evidente que não podemos errar sem antes começarmos; na

 

[90ar]

 

moral, mas[2] cousas estéticas. Qual o caminho a seguir é mostrar aos discípulos os objectos belos, as obras belas, estudá-las etc. Os gregos condenam acima de tudo os poetas. Homero era base do estudo. Mas não seria digno aos seus alunos: admirar Homero. Liam-no e aprendiam-no, ou antes faziam-no aprender a música e a gramática ciência dizia Platão os 2 {…} da educação pela música entende-se poesia, canto {…}). É possível uma educação estética que não seja normativa. O que se pode fazer é estabelecer formas de convenção, “falles convenues” como lhe chamam os franceses.

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História Literária

A literatura é um trabalho complexo. Compreende-se por isto tudo o que produzimos por escrito {…}, que não tenha fim puramente utilitário. Só uma selecta dos líricos são um documento de cartório aos antigos portugueses. Mas isto como género literário não está bem. Chama-lhe ele género epistolar. Pomos fora da literatura todo objecto com fim utilitário; senão a Razão do comerciante seria uma obra literária. {…} que não tem utilidade prática. Os discursos da história, ou filosofia mesmo – tudo o que tende a produzir uma emoção; o prazer que vem da contemplação, que 2º diz Aristóteles, é a forma mais alta da actividade humana. A História Literária tem de dar conta de todos os agentes que influenciam a atitude de um povo. Enuncie-se o princípio que uma literatura está constantemente ligada ao movimento social (mais claramente nas obras de M. de Stael). Depois

 

[90av]

 

foi a questão da raça, depois povo (que pode pertencer a raça diferente na forma ou conjunto) base concreta à questão da raça que produziu disparates monumentais.

Diz 1 inquérito sobre o espírito francês – e trata-se de 1 povo moderno – e as respostas eram tão diferentes que sequer sabe o que é espírito francês.

Diz um autor que sabendo tudo o que leva só 1 obra literária temos feito estudo completo; exige-se que pareça imitado mas que é muito vasta.

Vocabulário dos autores. Shakespeare 15000 vocábulos Dante 7000. De todos os autores que se tem estudado é Shakespeare o que está de acordo com o que sabemos do seu génio e do facto de o inglês ser uma língua dupla. Quanto menos rico é o espírito do autor mais ele repete certas frases. Há também modo de combinar frases.

Deve ser profundo 1 estilo que se aproxima mais da linguagem do povo. Na mostra do período há autores que fogem à noção relativa.

 

Objectivo da demonstração

Até que ponto aceitar que o estudo da uma obra literária consiste como parte [assim eram determinadas as relações do autor com a raça, o momento histórico e o meio geográfico.]

 

 

[1] argumentos /razões\

[2] mas /agora em\

Notas de edição
Identificador
https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/5178

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