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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-6 – 1-2-2
BNP/E3, 14-6 – 1-2-2
Fernando Pessoa
Identificação
Nova Poesia Portuguesa

[BNP/E3, 146 – 1-2-2]

 

Nova Poesia Portuguesa

O argumento exposto ao Dr. Lopes Germano

Coleridge – Poe – Baudelaire – Verlaine – Nobre – Pascoaes

Dois místicos que lembram Pascoaes – Blake e Novalis – eram ambos leitores de Jacob Boeheme. cf. isto com o caracter hegeliano do sentimento essencial da nossa nova poesia.

 

Para o romântico um poente, perdendo a objectividade lúcida para os sentidos, passa a interessar pela tristeza que causa, tristeza que vem da alma doente. Mas esta tristeza chama mais intimamente a atenção para o poente – daí o apreciá-lo mais, o senti-lo, o descrevê-lo portanto doutro, e íntimo e detalhado, modo.

Um clássico que se sentia triste ante um poente sentia-se à parte do poente, no que triste. Via o poente e sentia-se triste. Descrevia o poente e a sua tristeza…

 

[1-2r]

 

|Para um simbolista há já outro passo dado. Passa o poente a representar, a simbolizar a sua tristeza.|

Para o saudosista a ligação é mais íntima. O poente é tristeza; não a causa (|como para o clássico|), não a acorda (como para o romântico); não a representa, como para o simbolista; é-a.

(Para o romântico, o poente, como cansado da tristeza, passa a ficar dentro dele).

– O que preocupa o clássico é que ele sente, não a causa – não é humano o sentimento (ou sua expressão) talvez – que o faz sentir.

– O romântico, como sente mais, dá mais atenção à causa que o faz sentir. (O desenvolvimento dos sentimentos? Alguma causa mas pouca influência… – A música?)

– Para o simbolista passa a sensação a ser tudo, |e a causa nada|.

= Resultado para a expressão (fisionomia da nossa corrente literária)

 

[2r]

 

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O romantismo só olhava à sua própria alma, às suas sensações, à sua alma em relação com suas sensações (doentio). Daí: e não com as outras almas (como o clássico)

(1) Como a natureza é a maior dessas sensações, para o romântico a Natureza é o como há de essencial). (Pensa por imagens etc.)

(2) Como {…}

 

Para o simbolista (o sentimento é um sentir doente {…}

(1) A sua própria alma é que é a sua principal sensação. Tudo portanto é descrito por ele em termos da sua própria alma.

Ou (1) As suas próprias sensações da natureza, do exterior é que é o imediato e essencial. Daí a mistura de sensações. E.g. quem diz “sensação agradável viva”. Busca uma sensação muito agradável, e.g. perfume. Vendo busca o que o dê o vermelho. Resultado: perfume vermelho.

 

A sua principal sensação são as suas sensações. (pelo que interiores, não pelo que exteriores)

 

[2-2r]

 

“Comme ta voix fait le parfum”.

Se Baudelaire estivesse com atenção ao que ouvia, não ouvia lá perfume mas cheiro, visto que o perfume não é coisa que se ouça. Mas estava atento apenas ao que sentia e só podia dizer-se que sentia daquele intenso modo.

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https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/5193
Classificação
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada