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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-5 – 36
BNP/E3, 14-5 – 36
Fernando Pessoa
Identificação
Sobre o ritmo

[BNP/E3, 145 – 36r]

 

É preciso distinguir entre a pausa rítmica e a cesura. Por exemplo, no verso de Camões

Albuquerque terríbil || Castro forte

é evidente que a cesura é depois da palavra terríbil, mas as pausas rítmicas são

Ălbŭquérquĕ | tĕrríbĭl | Căstrŏ fórtĕ

o que é fácil de confirmar, lendo alto este verso e com correcta intonação; ver-se-á que há uma pausa natural (e rítmica) por ligeira e vaga que seja depois da palavra Albuquerque. Uma tentativa para ler aquele verso ou como birítmico ou como tendo uma pausa rítmica depois da palavra Castro mostrará ainda mais a verdade desta asseveração.

A pausa, as pausas rítmicas dependem só da rítmica; a cesura não é senão a pausa gramatical.

Suponhamos que Camões houvera escrito, inserindo o artigo o

 

Albuquerque o terríbil, Castro forte

 

o verso resultara (como a leitura imediatamente mostrará) num menos bem-soante. A ler o verso de modo que se oiça o artigo o (com o a-

 

[36v]

 

centuar indevidamente) achará um ouvido sensível ao ritmo uma estranheza, como que uma inabilidade rítmica. E há-a decerto e consiste em forçar a palavra Albuquerque a apropriar-se ritmicamente do artigo o que devia pertencer ao pé rítmico dominado pela palavra terríbil, de que aquele artigo é enclítico[1].

 

Ălbŭquérquĕ ŏ | tĕrríbĭl | Căstrŏ fórtĕ

 

Já sabemos que é uma lei do ritmo (a evolução da qual fere o ouvido, como no caso actual) que as enclíticas e proclíticas de uma palavra hão de pertencer-lhe ritmiticamente, fazer parte do pé rítmico em que ela domina.

_______

 

Notas

Poĭs ă năo téus | ă mórtĕ | sĕriă d’éllă

 

 

[1] en/pro\clítico

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/5130
Classificação
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada