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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-4 – 92-93
BNP/E3, 14-4 – 92-93
Fernando Pessoa
Identificação
História da Literatura Inglesa

[BNP/E3, 144 – 92-93]

 

História da Literatura Inglesa

 

Veremos como a história da literatura inglesa nos mostra a história do carácter do povo inglês, como nas variações da literatura lemos nitidamente e sem esforço as variações do carácter das épocas; como os autores as representam clara e evidentemente.

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Esse período isabeliano foi isto: o vir à tona de todo o romantismo inglês, de toda a fantasia e imaginação características deste povo. O impulso foi enorme e um tanto deslocado; gastou-se, degenerou para os cavaliers, e o puritanismo apagou-o, apagando-os a eles. Quando foi da restauração ressurgiram – sim – os cavaliers, mas os traços de carácter que com eles surgiram foram já aqueles que os cavaliers anteriores tiveram mas que já eram mais seus que isabelianos. Como a evolução da literatura nos

 

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mostra isto bem! Como é significativa a asserção do espírito prático inglês – religioso, autoritário, {…} – sobre o espírito romântico, na famosa ditadura de Cromwell, com o seu ódio às letras propriamente ditas, com o seu encerrar dos teatros. Notemos bem. Primeiro a explosão do espírito romântico inglês – período isabeliano; depois, a explosão reactiva do espírito prático – período cromweliano; depois fusão gradual dos dois elementos e gradual construção intelectual e moral do povo inglês. Vejam os detalhes deste último período (que envolve vários períodos) de constituição.

Veremos como, da restauração ao reinado de Guilherme e Maria vai morrendo o resto frouxo do antigo romantismo, (Dryden indica a transição), como neste reinado, no da rainha Ana, e nos dos dois 1os Jorges

 

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(o apogeu sendo no reinado da rainha Ana) o espírito positivo se vai radicando. As influências são francesas, desde Carlos II até Johnson, no tempo do qual já decresciam. Veremos depois gradualmente constituindo-se e ressurgindo outra vez o romantismo, equilibrado pelo espírito positivo da escola de Pope. Tão equilibrado por essa escola, que surge desequilibradamente, pleno, nas “Lyrical Ballads” de |1798|. Veremos a influência do género peninsular e como se forma e se constitui gradualmente o carácter inglês. Finalmente constata-se depois da morte do romantismo, do período indeciso e incaracterizado das revindicações políticas {…} – e a era de Tennyson mostra-nos o carácter inglês completamente constituído, representando aquele poeta completamente o carácter inglês típico. Veremos uma certa degenerescência aparecer depois, veremos

 

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sinais de decadência intelectual e moral aparecer, tipificados pelos pré-Rafaelistas. Veremos tudo isto.

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https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/4645
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Rita Patrício, Episódios - Da Teorização Estética em Fernando Pessoa, Braga, Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, 2008 [cf. Rita Patrício, Episódios - Da Teorização Estética em Fernando Pessoa, Vila Nova de Famalicão, Húmus, 2012, pp. 418-419].