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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-4 – 85-85a
BNP/E3, 14-4 – 85-85a
Fernando Pessoa
Identificação
[Sobre literatura inglesa]

[BNP/E3, 144 – 85-85a]

 

Começa-se a falar no povo como numa realidade. Aquele período foi o romper da democracia. Foi excessivo; caiu. Mas a semente estava lançada à terra. Desde Cromwell e não desde Drake é que o povo inglês vale o que vale. Pensar o romantismo é romântico.

 

[85v]

 

Consumou profundamente a beleza austera daqueles sonetos. Sentimo-nos não dispostos directamente a admirar, como perante Shakespeare, mas a respeitar. É o sentimento quase exclusivo que nos ocupa ante essa obra.

_______

Não é bondade, é justiça. Shelley era melhor do que Milton. Podemos amar Shelley; Milton está um tanto além da esfera das coisas que amamos, mesmo das que admiramos. Respeitamo-lo e a admiração que haja em nós por ele está envolta nesse respeito.

 

[85ar]

 

A nota dominante de Milton é a nota moral. Mesmo no puramente artístico a solenidade e a sobriedade que coexiste com a beleza faz transparecer a austeridade do carácter. Em Milton moral e imaginação estão ligadas, duas formas nele da sua grandeza de alma.

Nos isabelianos a imaginação é essencial; em Milton o carácter. A poesia de Milton é a poesia da austeridade, da sinceridade. (É essa, de resto, a qualidade mais alta da raça inglesa máxima.)

 

[85av]

 

A poesia de Milton resume-se nisto: a grandeza de alma tornada poesia[1]. Os vários elementos dessa grandeza vão-se manifestando no belo. Nos 1os poemas temos a sobriedade tornada beleza; nos sonetos é a austeridade, nos épicos a solenidade (ou fé) e no Samson Agonistes a solidão que se incarna com beleza respectivamente. Lindamente bem o mediu, no célebre soneto (cheio ele mesmo do espírito miltónico): – {…}

 

 

[1] poesia /beleza\

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/4638
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Fernando Pessoa, História da Literatura Inglesa, edição de Nuno Ribeiro & Cláudia Souza, Lisboa, 2021, pp. 40-41.