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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-4 – 6-7
BNP/E3, 14-4 – 6-7
Fernando Pessoa
Identificação
[Sobre o teatro]

[BNP/E3, 144 – 6-7]

 

Mas tudo isto, insinuei, é o secundário. O que é radical e espantoso numa época sobretudo que, se alguma coisa tem, é pretensões a quase-crítica – é que gente que é possível que se considere superior escreva para o palco, sem ver que isso é fazer arte dentro de limites, como seria o escrever uma novela talvez que houvesse de ter exactamente {…} capítulos, trinta períodos por capítulo e trinta palavras por período. Como seria o esculpir estátua ou pintar quadros tendo em constante vista que eles devem caber por uma determinada porta. Conveniências cénicas, técnica teatral, carpintaria de peças – arte balizada, vedada, com compartimentos estanques à beleza e à verdade! – arena de circo para os palhaços da inteligência.

Porque o teatro não é uma forma

 

[7r]

 

da dança: é uma forma da literatura. Escreve-se para ser lido, não para ser número de circo. É a alma, e não a plateia que o teatro-arte se dirige.

Não há dúvida que toma bom caminho para a imortalidade a caranguejola do teatro europeia[1], puxada pelos |*engenhos| do momento – Battaille, Bernsatein, Henri – e outros dramaceiros da asneira candelária.

… E se o leitor perguntar a que propósito vem este assunto numa secção prefaciada como devendo-nos apenas uma crítica de mais livros, repare que uma peça que se escreve para representar é uma peça que se escreve para qualquer coisa que não possa ser e que um livro (porque uma peça é um livro) que se escreve que não se ler é, ispo facto, um mau livro…

Que de resto escrevendo para falar em actores na gente que lhes dá que fazer é |*contudo| a fazer mais só ††

 

[7v]

 

I.

Na sua essência, a arte é a confissão de que a vida não (nos) basta. A arte é uma construção de sonho. Mas, assim como os sonhos são tirados de imagens e {…} da vida – nela buscados – assim, a arte vai buscar à vida os materiais para a renegar e transcender.

A arte envolve 3 elementos: o elemento estético puro: a arte é a criação da beleza; o elemento em relação ao público – com o fim de entreter outrem e o fazer esquecer a vida; e o elemento {…}

_______

Na arte há 3 elementos: o estético, a arte, e o público.

 

 

[1] europeia/eu\

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/4581
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada