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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14-1 – 82-83
BNP/E3, 14-1 – 82-83
Fernando Pessoa
Identificação
[Sobre Pascoaes, Correia de Oliveira e Lopes Vieira]

[BNP/E3, 141 – 82-83]

 

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Pascoaes, António Correia de Oliveira e Lopes Vieira nenhum deles artista. Lopes Vieira, ao querer sê-lo cai, ao querer “versar” diz asneiras ou nulidades. Ou tem de se abandonar à sua imaginação, ou de não escrever. A geração não era de artistas.

(O tipo oposto é Eugénio de Castro; este tem que pensar artisticamente os seus versos. A condição da sua inspiração é ser artisticamente pensada.)

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A superioridade de Pascoaes consiste em que, dos 3, é ele o único que sugere. Nenhum dos outros tem daqueles versos cujo efeito é logicamente inexplicável, nos {…}. Nenhum dos outros era capaz de escrever um verso como

 

Sete lágrimas frias do silêncio

 

[82v]

 

verso onde tudo desde a mera sugestão que lhe é sentida até à música esbatida e longínqua obtém o efeito poético.

 

É por isso de Pascoaes que sai a moderna geração de poetas. Quer queiram, quer não, é com Pascoaes, que é o seu parentesco espiritual. Daí a fama actual deste poeta, despercebido quase de tudo, senão de tudo, no período 1898 a 1910 aproximadamente. Mas a hora soou para a sua fama. Creio que assim como veio, passará. Como passaram Eugénio de Castro, António Nobre, Correia de Oliveira e Lopes Vieira. Este “passar” não quer dizer “morrer”. Nenhum destes poetas morrerá. Quer dizer perdurar como influência, estar na hora inspiracional.

Só um homem, Junqueiro, o tem feito. Nem Antero o fez.

 

[83r]

 

Sei de um indivíduo, português, homem de poesia, e talvez o mais subtil de todos os espíritos de artista que faz estar nós hoje, que não contrário nos interesses aos poetas da nova geração. António Correia de Oliveira, Lopes Vieira interessam-no, mas pouco o comunicam. Li uma vez e em † a Elegia de Teixeira de Pascoaes. Ficara deslumbrado e comovidíssimo. É que este poeta pode medir-se com os simbolistas por vezes em matéria de sugestão.   

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Não há, por isso, coterie. Há que Pascoaes é a “influência” de hoje. Com justiça o é. Isso incita alguns que já o foram? Mas que culpa tem a Renascença? Ela não é anterior da evolução do mundo e não o é, portanto, da evolução da poesia portuguesa.

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/4244
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada