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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14E – 13
BNP/E3, 14E – 13
Fernando Pessoa
Identificação
Humour.

[BNP/E3, 14E – 13]

 

Humour.

Há duas espécies de homens que admiramos: são os que são sublimes sem ser desumanos, e os que |são| mesmo sem ridicularizar. Por isso dois dos autores que apreciamos, |à parte outras considerações|, são Shakespeare e Dickens. A este último, desde que o lemos – que o … não diremos que o admiramos, mas que o amamos. Aquele humorismo perfeito, contagioso que não sabe ser cáustico e efusivo, nem sequer inteiramente sério, aquele sorriso de coração, sol de alma, orvalho do pensamento[1] – suave, terno, e, sobretudo, profundamente sincero – encanta-me, assalta-me. A graça francesa – a de Voltaire, por exemplo, nauseia-me. Os franceses não sabem sorrir, e o não saber sorrir é mais difícil. A graça de Swift arrepia; aquela ironia continua grave, misantrópica roupagem. Dickens sorri sempre. Voltaire ri sempre. Swift nunca ri. Consuma-se, o gosto sente-o {…}

 

[13v]

 

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Phosphoro. Pode ser.

 

Um americano disse-nos uma vez que em Nova York os prédios eram[2] tão altos que quem cai do alto deles morre de fome pelo caminho.

Perguntando-lhe nós como o sabia, respondeu que por experiência própria.

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Os Castelhanos também mentem muito é verdade. Até nos lembra a |judiciosa| reflexão de um homem zarolho, que chamava o bastão de bengala, que encontramos (ao homem e[3] à bengala) numa viagem. Referindo-se ele à questão se os Americanos mentiam mais que os espanhóis, opinou que qualquer deles mentiu mais que o outro, estando o outro ausente. Por certo, dava-se o caso contrário. 

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[1] pensa/senti\mento

[2] eram /são\

[3] (/tanto\ ao homem e /como\

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/3794
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada