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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP/E3, 14B – 21-23
BNP/E3, 14B – 21-23
Fernando Pessoa
Identificação
Obiter Dicta ou Optimismo. ou Sursum Corda!

[BNP/E3, 14B – 21-23]

 

Obiter Dicta

ou

Optimismo.

ou

Sursum Corda!

 

A propósito do livro do sr. Alberto Caeiro.

 

Não que o livro do sr. Alberto Caeiro seja supremo; posto que excelente não é transcendente. Usamo-lo, por diante de nós o termos, para prova do nosso assento sociológico {…}

 

_______ (livros)

Onde a alma íntima do Povo vibra e se mostra, não a alma superficial do Povo que em Camões, Garrett {…}, mas a outra, a mais íntima, {…}

 

[21v]

 

Além de viva, esta poesia é nacional.

É mais dá-se no Brasil como cá: é racial.

Dá-se sob o sentimento republicano, é coeva dele; com ele cresceu.

 

Podem as nossas finanças

ect

etc…

penhor do que, se cairmos mais, levantar-nos-emos.

_______

Todos quantos, com os lhos marejados de lágrimas de súbita alegria, sentimos bater em nós, num impulso, como

 

[22r]

 

que tímido e arrepiado, por imenso e {…} que se sente, a alma inconfundível e sublime do Povo Português.

_______

O livro do sr. Alberto Caeiro é a causa ocasional deste artigo, que, – posta de parte, por inútil e {…} agora, a modéstia – nos parece de uma utilidade muito grande, dado que o queríamos compreender.

_______

O poeta torna-se sociólogo.

 

 

[22v]

 

Porque – e é por isto que este argumento a todos sobreleva – um povo realmente humilde, velho realmente, um povo cuja fraqueza e doença são as da velhice, cuja debilidade é decrepitude, é inteiramente incapaz – como um individuo nessas condições o é – não só de escrever[1] grandes coisas, mas de pensar grandes coisas novas, e muito menos de pensar grandes coisas novas mais em harmonia com o seu íntimo carácter do que as da sua juventude!

Por mal que esteja o povo português, não está prostrado, moribundo ou decrépito; mas está muito doente.

 

[23r]

 

Não só é fatal este argumento aos argumentos dos que nos julgam decadentes em absoluto, como o é aos argumentos monárquicos, por razões que adiante apontaremos. É mais forte este argumento profundamente sociológico – o único científico – a poesia da república, que tudo quanto até agora se tem dito.

_______

Estes argumentos são económicos, políticos, literários – sociológicos não são.

 

 

[1] escrever /pensar\

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/3133
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Fernando Pessoa, Obra Completa de Alberto Caeiro, edição de Jerónimo Pizarro e Patrício Ferrari, Lisboa, Tinta-da-China, 2016, pp. 251-252.