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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP-E3, 19 - 21
BNP-E3, 19 - 21
Álvaro de Campos
Identificação
[Sobre o romantismo]

[19 – 21]

 

(Álvaro de Campos – a nossa época está farta de inteligência. A inteligência é infecunda, e, prova-o a ciência, secundária.) As filosofias irracionalistas.

O que a nossa época sente é um desejo de inteligência. O que a desgosta no romantismo é a escassez dos elementos intelectuais, quer directamente pela escassez, quer pela subordinação deles aos elementos emotivos. O único elemento intelectual notável no romantismo é o da especulação, da reflexão, aparecido naturalmente pela ruína progressiva das influências religiosas. Nisto o romantismo é forte, porque está na grande tradição civilizacional europeia, que é a tradição helénica, do individualismo racionalista.

Por outra parte o romantismo é o aboutissement de outra tradição, a cristã; é isso pelo seu emotivismo e subjectivismo.

De novo, o que o romantismo trouxe foi o sentimento, propriamente tal, da Natureza. (A renovação da metáfora e da imagem).

O “classicismo” decadente, a que o ro-

 

[21r]

 

mantismo se seguiu e se opôs, não tinha pensamento, não tinha emoção, não tinha |alma|. Custa-nos hoje a crer num Delille, nos Arcades. Como, salvo alguns versos, pesam hoje sobre nós tedientamente The Traveller, The Deserted Village, Retaliation!

O fim do classicismo teve talento só na sátira, na poesia social, no género de que os vers de société são uma espécie.

 

_______

 

Quanto maior a subjectividade da Arte, maior tem que ser a sua objectividade, para que haja equilíbrio, sem o qual não há vida, nem, portanto, vida ou duração da mesma arte. Os factores de objectividade – a Ciência, {…} Como o romantismo tinha mais emoção, tinha que ter mais pensamento; como tinha mais subjectividade, tinha que ter mais objectividade.

 

https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/2465
Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Edições Ática, 1966, pp. 145-146.