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Fernando Pessoa - Literary Theory

This digital edition of texts by Fernando Pessoa deals with the set of poetic theorizing writings from hisArchive and brings together essays, comments, notes, sketches and fragments about literature from the Portuguese author. The documents transcribed are in Fernando Pessoa’s Archive in the custody of the National Library of Portugal, with quota E3. All facsimiles are accompanied by a critical lesson and a paleographic transcription, which is available for download in the “PDF” field.

 

 

Medium
Fernando Pessoa
BNP-E3, 19 - 8
BNP-E3, 19 - 8
Fernando Pessoa
Identificação
[Sobre as espécies de poetas]

[19 – 8]

 

Poetas:

de construção;

de intensidade;

de profundeza.

A. O tipo normal do poeta de construção é não um sentimento muito intenso nem muito profundo, mas de certo, médio, modo intenso, e não necessariamente de igual modo profundo. Tipo do poeta de construção há os gregos no alto grau, e, no baixo grau, Corneille, Racine, etc.

 

B. O tipo normal e puro do grande poeta de intensidade é uma construção firme mas curta, incapaz de construir complexidades, e uma profundeza média.– Victor Hugo é o melhor exemplo do tipo puro destes poetas.

 

C. Poeta profundo envolve poeta de pensamento original, visto que nada há de profundo em transferir literalmente pensamento profundo alheio; e para o transferir não-literalmente é preciso ser um pensador original para lhe poder dar outra forma. Ainda assim este último é o grau médio, ou entre médio e grande, da profundeza. (Wordsworth’s Ode, Junqueiro Luz). O poeta de profundeza é tipicamente incapaz de construir mesmo na extensão do poeta intenso; o pensamento é, de sua natureza, concentrado. Raras vezes é intenso o poeta de profundeza. (Quando o é é um |construtivo|(?)). Tipo de poeta de profundeza é

 

[8v]

 

Antero. Outro tipo é Pascoaes, que falha ao querer dar ou construção, ou intensidade.

 

Tipos mistos:

Poetas de intensidade-e-construção:

Milton (?)

Junqueiro (na “Pátria”) — Junqueiro tem profundeza média (Oração à Luz) —

Dante.

 

Poetas de construção-e-profundeza:

Goethe (a construção um tanto estragada pela profundeza – e falta de intensidade?).

 

Poetas de intensidade-e-profundeza:

Wordsworth (?)

Coleridge (?)

Browning (?)

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Intensidade é saber manter através do seu desenvolvimento um tema qualquer (ou, se deverei chamar, arte, que é isso — não há desta “intensidade” na Salomé de Eugénio de Castro).

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Classificação
Literatura
Dados Físicos
Dados de produção
Português
Dados de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
Palavras chave
Documentação Associada
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Edições Ática, 1966, pp. 127-128.