Medium

Fundo
Fernando Pessoa
Cota
BNP-E3, 19 - 76
Imagem
Erostratus
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Autor
Fernando Pessoa

Identificação

Titulo
Erostratus
Titulos atríbuidos
Edição / Descrição geral

[19 – 76]

 

Erostratus.

 

Professional improbity and inefficiency are perhaps the distinctive characteristics of our age. The old artificer had to do work; the present workman has to make a machine work. He is a mere slave-driver of metals; he becomes as coarse-grained as a driver of slaves, but less interesting, because he cannot even be called a tyrant.

 

As the slave-driver becomes a slave to slave-driving and so gets the mind of a slave, though of a luckier slave, so the machine-driver becomes a mere biotic lever, a sort of starting arrangement tagged on to an engine. Taking part in mass production may leave a man a decent human being; it really is so low a thing that he need not be affected by it. But taking part in mass production does not leave a man a decent human workman.

 

Efficiency is less complex to-day. Inefficiency can therefore easily pass as efficiency, and be, indeed, efficient.

 

The only arts and crafts in which we see some striving after perfection or achievement are the absence of arts and crafts – that is to say, those activities which are called sports and games and used to be considered, not as things in which to strive for something, but things in which to rest from striving. It is futile to cite the Greeks. The Greeks strove to be perfect in everything they did – in sports and games because also in poetry and reasoning. Our poets write poetry anyhow; our reasoners think anyhow. Only our runners really run, because they are running nowhere. The Greeks lusted for fame in sports because they lusted for fame in everything; we lust for fame in sports and hobbies because we can lust for fame in nothing else. The exuberant activity of a child has no resemblance to the exuberant activity of acute mania.

 

Speed dopers, film cardboarders, {…}

 

We do not even admire beauty: we admire but the translation of it. Every street has several girls not less beautiful than the film face-girls. Any office throws out at lunch time young men as good-looking as the film hollow men.

 

Stupid as a Mary Pickford or a Rudolph Valentino.

 

No joke ever came out of Hollywood.

 

{…} that poor fool Segrave…

 

 

[19 – 76]

 

Heróstrato.

 

A improbidade e ineficiência profissionais são talvez as características distintivas da nossa época. O velho artífice tinha de produzir trabalho; o presente trabalhador tem de pôr uma máquina a trabalhar. É um mero condutor de escravos de metais; ele torna-se tão grosseiro quanto um condutor de escravos, mas menos interessante, porque nem sequer pode ser chamado de tirano.

 

Enquanto condutor de escravos torna-se escravo da condução de escravos e assim adquire a mente de um escravo, ainda que de um escravo mais afortunado, assim também o condutor de máquinas torna-se uma mera alavanca biótica, uma espécie de motor de arranque associado a um mecanismo. Fazer parte da produção em massa pode deixar que um homem seja um ser humano decente; é algo tão baixo que não necessita de ser afectado por isso. Mas fazer parte da produção em massa não deixa que um homem seja um trabalhador decente.

 

A eficiência é hoje menos complexa. A ineficiência pode, portanto, facilmente passar por eficiência e ser, de facto, eficiente.

 

As únicas artes e ofícios em que vemos alguma luta pela perfeição ou sucesso são a ausência de artes e ofícios – isto é, aquelas actividades que se chamam desportos ou jogos e que costumavam ser consideradas, não como algo em que se lute por alguma coisa, mas algo em que se descansa da luta. É vão citar os gregos. Os gregos lutavam por ser perfeitos em tudo o que faziam – nos desportos e jogos, porque também na poesia e no raciocínio. O nossos poetas escrevem poesia de qualquer maneira; os nossos raciocinadores pensam de qualquer maneira. Apenas os corredores realmente correm, porque não correm para lado nenhum. Os gregos ambicionavam a fama nos desportos, porque ambicionavam a fama em tudo; nós ambicionamos a fama nos desportos e nos passatempos, porque não podemos ambicionar a fama em nada mais. A actividade exuberante de uma criança não tem nenhuma semelhança com a actividade exuberante da mania aguda.

 

Narcotizados da velocidade, cartolinas de filme, {…}

 

Nem sequer admiramos a beleza: admiramos apenas a sua tradução. Cada rua tem várias raparigas não menos belas do que as raparigas dos filmes. Qualquer escritório lança para fora, na hora de almoço, rapazes tão bem-parecidos quanto os ocos homens dos filmes.

 

Estúpidos como uma Mary Pickford ou um Rudolph Valentino.

 

Nunca uma piada saiu de Hollywood.

 

{…} aquele pobre tolo Segrave…  

 

Notas de edição
Identificador
https://modernismo.pt/index.php/arquivo-almada-negreiros/details/33/2509

Classificação

Categoria
Literatura
Subcategoria

Dados Físicos

Descrição Material
Dimensões
Legendas

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Data
Notas à data
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Dedicatário
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Idioma
Inglês

Dados de conservação

Local de conservação
Biblioteca Nacional de Portugal
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Documentação Associada

Bibliografia
Publicações
Fernando Pessoa, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa, Edições Ática, 1966, pp. 222-224.
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