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Pêro Botelho

Personalidade literária de Fernando Pessoa, cuja assinatura surge num caderno de 1915. Foi-lhe destinada a autoria de Cartas de Pêro Botelho e de Contos de Pêro Botelho. Se o primeiro projecto não parece ter tido desenvolvimento, no segundo surgem incluídos vários títulos de contos, ao título do conto se seguindo, no projecto, o nome da sua personagem principal.: «O Vencedor do Tempo» (Prof. Serzedas), «A Morte do Dr. Cerdeira» (Dr. Cerdeira), «A Experiência do Dr. Lacroix» (Dr. Lacroix), «O Prior de Buarcos» (Pe. João [José] Maria), «Quaresma, Decifrador» (Dr. Abílio Quaresma), «O Eremita da Serra Negra» (O Eremita), «No Hotel Cecil, em Dia de Chuva» (O pessimista), «Uma Tarde Cristã» (O jesuíta Eusébio Vareiro) e «O Profeta da Rua da Glória» (O judeu Salomão Barjara). «Quaresma, Decifrador», que aqui se apresenta como um conto de Pêro Botelho, irá tornar-se o título geral do grande conjunto das novelas policiárias em português, sem atribuição. Outros destes contos surgiram anteriormente em Contos de um Doido, título geral de um projecto atribuído a Vicente Guedes e destinado a publicação pela Empresa Íbis, datável de 1909-1910. É o caso de «A Morte do Dr. Cerdeira», «A Experiência do Dr. Lacroix» e «Uma Viagem no Tempo», variante provável de «O Vencedor do Tempo». O conto «O Prior de Buarcos» foi também atribuído a Bernardo Soares. Quase todos os contos da lista de Pêro Botelho voltam a surgir, sem atribuição, no grande conjunto que tem o título de Contos Intelectuais. De todos os Contos de Pêro Botelho, «O Vencedor do Tempo» é aquele que apresenta maior desenvolvimento, não tendo, no entanto, sido completado.

 

 

Manuela Parreira da Silva