logotipo Modernismo

  Arquivo Virtual da Geração de Orpheu

 

 

Pedro Teotónio Pereira

(1902-1972)

Apontado como sucessor natural de Salazar, foi um dos principais teóricos da doutrina corporativa do Estado Novo, autor de livros como As Ideias do Estado Novo: Corporações e Previdência Social (1933), As Entidades Patronais na Organização Corporativa (1934), A Batalha do Futuro: Organização Corporativa (1937). Em 1936, foi nomeado Ministro do Comércio e Indústria. Consultor privilegiado de Salazar sobre as relações com Espanha, tornou-se seu representante junto de Franco, em 1937, e, mais tarde, embaixador de Portugal naquele país. Exerceu ainda estas funções no Brasil e Estados Unidos. Como director da Liga de Acção dos Estudantes de Lisboa, é um dos instigadores de uma acção repressiva visando «meter na ordem» os autores, editores e vendedores de livros «imorais». Numa entrevista ao jornal A Época (22-2-1923), Teotónio Pereira denuncia os «poetas de Sodoma», aludindo a António Botto, Raul Leal e Judith Teixeira, cujos livros, Canções, Sodoma Divinizada (editados pela Olisipo) e Decadência, seriam apreendidos e queimados no Governo Civil de Lisboa, alguns dias depois. No dia seguinte, o mesmo jornal publica um «Manifesto dos Estudantes das Escolas Superiores de Lisboa», também distribuído nas ruas e nos cafés, que não deixa Pessoa indiferente. Com a assinatura de Álvaro de Campos, distribui um folheto intitulado «Aviso por Causa da Moral», datado de “Europa, 1923”, no qual recomenda aos jovens que estudem, se divirtam e se calem. Também Raul Leal, em Abril de 1923, faz circular outro folheto, «Uma Lição de Moral aos Estudantes de Lisboa e o Descaramento da Igreja Católica», que motiva um novo manifesto do grupo de Teotónio Pereira, insultando o autor. Pessoa vem então a lume com o folheto «Sobre um Manifesto de Estudantes», solidarizando-se com Leal e lamentando a vileza do ataque destes moços, produto de «vários séculos de educação fradesca e jesuítica», pela «anulação do espírito crítico e científico que patenteiam» (Crítica, pp. 202-209).

 

 

Manuela Pareira da Silva