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Oligarquia das Bestas

Texto de Fernando Pessoa onde faz uma violenta crítica à classe política dominante. A sua data provável é posterior a 1915, depois da queda da ditadura de Pimenta de Castro. Existem dois índices deste texto incompleto, onde se percebe que o tema a tratar seria a patologia social e a sua aplicação à sociedade portuguesa, especificando o segundo índice tratar-se de uma análise sociológica e psicológica do radicalismo. A intenção é estudar a situação política de Portugal através da revolução de 14 de Maio. Para isso, irá buscar as causas da situação política de então a um estudo da situação política anterior e analisar a forma como a República saiu da Monarquia Constitucional. De acordo com o texto, todas as sociedades se dividem em três grupos: os indiferentes, os equilibrados e os desequilibrados. Os equilibrados dividem-se em conservadores e em liberais. Os desequilibrados agrupam-se em dois partidos: os reaccionários e os radicais. Considera que existe uma absoluta identidade de psiquismos entre estes dois, patente na sua oposição à parte progressiva e equilibrada, que é a base da vida sã em sociedade. A reacção e o radicalismo são a dupla forma do princípio desintegrador que tem por fim escangalhar completamente a vida social em todas as suas formas (Fernando Pessoa, Obra Poética e em Prosa, Vol. III, org. António Quadros, p. 867). Afonso Costa é dado com exemplo dos reaccionários de espírito, mas aduladores do povo, e Bernardino Machado dos radicais sinceros. Critica severamente a Carbonária, associação de parvos e de odiosos. A sua existência não se justifica depois da revolução ter findado. O texto incide ainda sobre as figuras de João Franco, Afonso Costa, Alexandre Braga e Bernardino Machado, sendo no entanto a linguagem mais forte reservada para Afonso Costa, contra o qual acumula epítetos. Conclui, no entanto, que esse ódio tem qualquer cousa de dolorosamente ridículo e que os radicais portugueses são parte do universo, da vida, do mundo e dos lugares psíquicos onde as forças do dinamismo universal se encontram.

 

Ana Maria Freitas