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Núcleo de Acção Nacional

É através do jornal Acção, fundado em 1919 (nº 1, de 1 de Maio), tendo como director Geraldo Coelho de Jesus e como redactor principal (e único) Fernando Pessoa, que se tem conhecimento do chamado Núcleo de Acção Nacional, já que a publicação é designada como seu órgão oficial. É provável que, além de Geraldo de Jesus e Fernando Pessoa, fizessem parte do grupo Augusto Ferreira Gomes (sócio dos dois em diversos negócios e que, em 1936, já em pleno salazarismo, viria a recuperar o título Acção, para um seu jornal) e Soares Franco, proprietário das Minas de Porto de Mós, de que Geraldo de Jesus era administrador. A ligação deste com o jornal é referida numa carta de Pessoa para Geraldo (12 de Agosto de 1919), dando a entender que seria um dos seus financiadores. Seriam objectivos do grupo, segundo o editorial do nº 1, «preparar e organizar as condições de uma boa política», visando uma acção «nacional, e não partidária», apresentar, através do seu órgão impresso, planos concretos e estudos para resolver os problemas do país,  e, acima de tudo, «educar portugueses, educar competentes, educar governados». E, no editorial do nº 2, intitulado «A nossa atitude», propõe-se «criar uma elite competente, capaz de governar, de administrar, de nos repôr na civilização». O assumido sidonismo do jornal (numa altura em que o ditador Sidónio Pais já tinha morrido), fazendo inserir no seu terceiro número uma fotografia do «Grande Morto», a toda a extensão da 1ª página, provoca tumultos nas ruas de  Lisboa e a fúria dos principais jornais democráticos. A tentativa de ressuscitar a figura e a política anti-partidos de Sidónio, pelo menos enquanto bandeira de uma urgente coesão nacional, de que o jornal se faz eco, é sentida como provocação. Mas a falta de um financiamento mais forte, a que não é alheio, certamente, o número diminuto dos membros do dito Núcleo de Acção Nacional, conduzirá em breve o projecto ao fracasso (o nº 4 do jornal, datado de 27 de Fevereiro de 1920, não chegaria sequer a circular). Deste grupo, meio fantasma, não existe, realmente, outro rastro. Numa carta a Francisco Fernandes Lopes, de Abril de 1919, Pessoa diz que se organizara havia pouco um grupo «intelectual», do qual era o secretário, que pretendia publicar uma revista, mas todas as informações sobre o projecto se afastam do âmbito de Acção e do citado Núcleo.

 

Manuela Parreira da Silva