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  Arquivo Virtual da Geração de Orpheu

 

 

Luís Miguel Rosa

(1900 – 1975)

Meio irmão de Fernando Pessoa, terceiro filho de D. Madalena Nogueira Rosa e de João Miguel Rosa, nasceu em Durban e morreu em Inglaterra. Em família, é tratado pelo diminutivo Lhi. Residiu em Inglaterra, onde se formou em Engenharia Química, na Universidade de Londres, e onde se casou. Apesar da distância geográfica, os irmãos mantêm uma correspondência afectuosa. Numa carta datada de 7 de Janeiro de 1929, Pessoa envia ao irmão o opúsculo de defesa e justificação da Ditadura Militar em Portugal e explica que a tese nele apresentada desagradou a toda a gente e incorreu por isso uma pena de silêncio. No verão de 1935, Luís Miguel e a sua mulher Eva visitam Portugal em lua-de-mel, ocasião documentada por fotografias frente ao Mosteiro dos Jerónimos. Numa das cartas que lhe escreveu depois da visita a Portugal, Pessoa envia ao irmão Luís Miguel uma cópia de um alcoholic or post-alcoholic poem que lhes havia recitado durante a visita. Poderá tratar-se do poema intitulado “D.T.” (diminutivo provável de Delirium Tremens). Na correspondência trocada depois da sua vinda a Portugal, Luís Miguel disponibiliza-se para ser o agente literário do irmão em Inglaterra e para o ajudar a divulgar a sua obra nesse país. Afirma nessa mesma carta: The English market is tremendous and once you have become at all established you will find it immensely profitable. Insiste ainda para que Fernando Pessoa o vá visitar. Estas duas hipóteses, a divulgação da sua obra na Grã-Bretanha e uma viagem a Inglaterra, eram do agrado de Pessoa, que as considerou e planeou seriamente em vários momentos da sua vida. Nunca chegaram, no entanto, a ser concretizadas. O poeta morreu pouco depois, nesse mesmo ano de 1935.

 

Fernando Pessoa, Correspondência (1923-1935), edição de Manuela Parreira

 da Silva, Assírio & Alvim, Lisboa, 1999.

Manuela Parreira da Silva, Realidade e Ficção, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004.

Robert Bréchon, Estranho Estrangeiro, Quetzal Editores, Lisboa, 1996.

 

 

Ana Maria freitas