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  Arquivo Virtual da Geração de Orpheu

 

 

Francisco Mendes de Brito

Médico, sempre se dividiu entre a actividade clínica e a literária, na qual passou a usar, a partir de 1943 e da publicação de O Último Fauno, o pseudónimo de José Galeno. Autor dos tempos de Orpheu, ainda que nas suas margens decadentistas e tradicionalistas, publica Lira de Cibele (1916) e Tríptico (1917), obras oferecidas a Pessoa (lendo-se na dedicatória da segunda: «Ao moço Fernando Pessoa-o-Irmão-futurado-futurista-no-futuro. Ao seu talento awfully strange»); é redactor da revista Terra Nossa, de Estremoz, onde Pessoa publica «A Ceifeira», em 1916; colabora na revista Contemporanea (1922); e edita, depois de um estudo sobre Américo Durão (1923),  Sol Cinzento (1924). Mantém-se em silêncio até aos anos 40, retomando então uma intensa actividade editorial, onde se incluem livros de poesia – Impronto (1947), S. Bruno e o Mundo (1954), Rozeta (1955), Sondagem (1956), Sonetos Paralelos (1959) – e alguns trabalhos de historiografia, como O Infante D. Henrique (1942) e O Infante D. Henrique e a Civilização Ocidental (1960), além de um ensaio «morbo-biográfico» sobre Van Gogh (1962).  É interessante salientar, no entanto, e no que diz respeito à recepção do modernismo em Portugal, o prefácio do próprio Mendes de Brito ao seu livro Impronto. Advoga, aí, um conceito de Poesia, feita por «expansão plena e pura da alma, da personalidade total livre, sem interferência da inteligência impura», incompatível com um século dominado pela velocidade, pelo excesso de acção e «invencionice delirante». A «debilidade atrófica da Poesia», no seu entender, está bem patente entre nós. E cita os casos de Pessoa, Sá-Carneiro, Régio, Torga, que «deitam mão dum pseudo-ineditismo histero-psicasténico para encobrir a falta de poder criador, que já por si se vem estiolando de década em década, de geração em geração, por abuso excessivo do exercício acionário da inteligência impura». Por isso, diz, Dante, Victor Hugo ou Milton «são vulcões de poder criador em relação às débeis emanações poéticas dos que, hoje, a si próprios se chamam modernistas».

 

 

Manuela Parreira da Silva