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Filantropia

Fernando Pessoa escreve, sobre o assunto, um artigo intitulado «O que um milionário americano fez em Portugal – A Colónia Infantil Macfadden em S. João do Estoril», na revista Fama (nº 4, de 10 de Março de 1933), artigo que traduz para inglês (existe no Espólio uma cópia dactilografada) e envia ao citado milionário, Bernarr Macfadden (v.). No artigo, Pessoa tece algumas considerações sobre os milionários e o modo como se fazem fortunas. Macfadden, sendo um homem débil, curou-se da sua debilidade por processos ginásticos e dietéticos por ele próprio inventados. A sua fortuna foi adquirida, em grande medida, publicando e vendendo revistas em que defendia e difundia esses mesmos métodos. Ao «disseminar gratuitamente esses processos, principalmente na criação de colónias infantis, onde crianças débeis recebem, por aplicação dos mesmos processos, uma educação física, a até moral, que lhes dá a saúde e a alegria e as põe no caminho de uma vida sã, forte e independente», Macfadden revela-se «sinceramente um filantropo». O artigo descreve também os princípios fundamentais do sistema Macfadden: vida ao ar livre; dieta simples; exercícios de ginástica sueca, caracterizados pela desmecanização e racionalização dos movimentos, com vista à educação do corpo e da vontade. Pessoa lembra a sua própria experiência de ginástica sueca, sob a orientação de Luís Furtado Coelho, em 1907. Faz ainda o historial da instalação em Portugal da primeira deste tipo de instituições na Europa. Menciona o seu amigo F. Lobo de Ávila Lima, delegado da Junta de Educação Nacional, através de quem se tornara possível a instalação da Colónia Macfadden no Estoril, viabilizada ainda pela ida de cinquenta crianças do Asilo Nun’Álvares para o local cedido dos Banhos da Pôça. E não esquece uma elogiosa referência ao director da Colónia, Claude DeVitalis, director da Colónia, mestre de educação física e um carinhoso companheiro dos rapazes da instituição.

 

 

 

Manuela Parreira da Silva