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EXPOSIÇÕES MODERNISTAS

A palavra «modernista» começou a ser utilizada a propósito de alguns artistas que, em 1914, constituíam a novidade do salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes: Domingos Rebelo, Dórdio Gomes, Burnay, Milly Possoz, Armando Basto, Ernesto do Canto e principalmente Eduardo Viana (1881-1967), o mais elogiado na imprensa. Não tendo sido realizada nesse ano, como se esperava, a III Exposição dos Humoristas, foi considerado oportuno promover no Porto, em 1915, uma Exposição de Humoristas e Modernistas, acompanhada por conferências, serões de arte e de música, com algum espírito «fin de siècle» como o da revista A Águia. A comissão organizadora era constituída por Aarão de Lacerda, Diogo de Macedo, Nuno Simões e João de Lebre e Lima. Entre os artistas de Lisboa, estiveram presentes Cristiano Cruz, Sanches de Castro, Amarelhe[l1] , Almada, António Soares, Barradas, José Pacheko, Stuart. Entre os portuenses, surgiam Armando de Basto, António de Azevedo, Bolha[l2]  e Melo, João Peralta e Abel Salazar (1889-1944), este com maior representação.

Em 1916, organizada por Lebre e Lima, realizou-se a II Exposição dos Modernistas, com menor êxito, apesar da simpatia manifestada pela imprensa nortenha. Destacavam-se as obras de Armando Basto (1889-1923), Diogo de Macedo (1889-1959), Cristiano Cruz (1892-1951) e principalmente António Soares (1894-1978).

Mais bem-sucedida foi a III Exposição, em 1919, devido sobretudo à presença de Eduardo Viana. Nesta exposição apareceram obras dos fiéis Diogo de Macedo e Armando Basto e dos estreantes Milly Possoz (1887-1967) e Alice Rey Colaço (1890-1982) e Carlos Carneiro (1900-1972), filho de António Carneiro (1872-1930), director artístico de A Águia. Foi muito apreciada a vivacidade do cromatismo de Eduardo Viana que, aliás, nesse ano, realizou uma das suas pinturas mais célebres, O Homem das Louças[l3] , onde o pintor alcançou a síntese de várias concepções picturais: partindo da teoria e da prática de Robert e Sonia Delaunay, com quem tinha convivido no Minho durante os anos de refúgio deles, em 1915-1917, o português conjugou o cézannismo e o colorido das cerâmicas populares.

 

Rui Mário Gonçalves

 

BIBLIO.: José-Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, Lisboa, Ed. Bertrand, 1974; Rui Mário Gonçalves, Os Pioneiros da Modernidade, Lisboa, Ed. Alfa.


 [l1]Cf. grafia do nome

 [l2]Cf grafia

 [l3]Cf. título do quatro. Estava «O Rapaz das Louças»