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Arthur Conan Doyle (1859-1930)

Médico e escritor britânico, (1859-1930), nascido em Edimburgo, na Escócia. Foi autor de 56 contos e 4 romances, dois dos quais históricos. Ficou na história do género policial como criador de Sherlock Holmes. A dupla formada por este detective e pelo seu amigo e biógrafo, o Dr. John H. Watson, surgiu pela primeira vez em A Study in Scarlet, novela publicada no Beeton’s Christmas Annual, em 1887, mas foi com a publicação de seis contos na revista The Strand, em 1891, que autor e personagens ganharam popularidade. Sherlock Holmes é uma personagem excêntrica, de fantásticos poderes de observação e dedução e conhecimento enciclopédico em várias áreas da ciência. O Dr. John Watson serve de contraponto a Sherlock e constitui um intermediário entre o raciocínio do detective e o leitor, partilhando da perplexidade deste até ao desenlace. Estes elementos, assim como o engendrar de uma surpreendente revelação final, revolucionaram o género iniciado por Poe e estabeleceram os elementos principais do policial moderno. Na biblioteca de Fernando Pessoa encontram-se duas obras deste autor, embora seja provável que tenha lido muitas mais. Conan Doyle é um dos autores mencionados no ensaio Detective Story (v.). Refere-o em Erostratus, utilizando-o como termo de comparação, ao afirmar: The ideal is an epic that shall wear like Milton and interest like Conan Doyle (Fernando Pessoa, Heróstrato e a Busca da Imortalidade, p. 137). Encontramos outra referência a Conan Doyle num fragmento de reflexão pessoal: Entre o número áureo e reduzido das horas felizes que a Vida deixa que eu passe, conto por do melhor ano aquelas em que a leitura de Conan Doyle ou de Arthur Morrison me pega na consciência ao colo (Fernando Pessoa, Escritos autobiográficos, automáticos e de Reflexão Pessoal, p. 150). Notam-se influências de Sherlock Holmes na figura de Abílio Quaresma: ambos possuem grande poder de observação e dedução, um conhecimento enciclopédico, um raciocínio infalível e aparência excêntrica. Existe, de igual modo, como contraponto, o homem de acção que complementa o raciocinador. No caso de Sherlock, o Dr, Watson, no caso de Abílio Quaresma, Manuel Guedes.

 

The Oxford Companion to Crime & Mystery Writing, ed. Rosemary

Herbert, Oxford, Oxford University Press, 1999.

Fernando Pessoa, Heróstrato e a Busca da Imortalidade, edição Richard

Zenith, Assírio & Alvim, 2000.

Fernando Pessoa, Escritos autobiográficos, automáticos e de Reflexão

Pessoal, ed. E posfácio de Richard Zenith, Assírio & Alvim,

Lisboa, 2003.