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  Arquivo Virtual da Geração de Orpheu

 

 

Arco de Triunfo

Arco de Triunfo, de Álvaro de Campos, é um dos livros que figuram num projecto de publicação elaborado ao tempo de Orpheu, e que incluía, além dos três heterónimos e do ortónimo, Sá-Carneiro e Alfredo Guisado. É o único título da série «Sensacionismo» (as outras: «Neo-Paganismo» e «Interseccionismo»). Tem a particularidade de aparecer com uma dedicatória, «Ao mestre – Alberto Caeiro», e um subtítulo, «odes», com a variante «apoteoses em verso» (PPC 487). Sá-Carneiro refere, em carta de Outubro de 1915, um projecto de edição do Arco de Triunfo que incluiria muitos anúncios comerciais (CSC 220).

Num plano datado de «1917 – ad finem» (PPC 483), e que é o mais extenso, o livro de Álvaro de Campos Arco de Triunfo é composto por três sonetos, mais as odes sensacionistas (Triunfal, Marítima, Marcial), e Opiário, A Passagem das Horas, Saudação a Walt Whitman, A Partida, Carnaval, mais o Ultimatum e uns «Fragmentos de afirmações», além de um poema intitulado Arco de Triunfo que nunca foi escrito sob esse título, mas talvez seja aquele que começa pelo verso «Minha imaginação é um Arco de Triunfo» (ACP 235).

Cerca de 1920, Arco de Triunfo, subintitulado «Poemas, com um Prefácio-Manifesto», de Álvaro de Campos, figura num  plano de edições da Cosmópolis (LDTSC 49), e depois num plano de edição da Olisipo (FPCP 160). Pela mesma altura, encontra-se num projecto solto de edição dos heterónimos intitulado Aspectos: «1. Alberto Caeiro (1889-1915) — O Guardador de Rebanhos e outros poemas e fragmentos. / 2. Ricardo Reis: Odes. / 3. António Mora: Alberto Caeiro e a renovação do paganismo. / 4. Álvaro de Campos: Arco de Triunfo, Poemas. / 5. Vicente Guedes: Livro do Desassossego» (FPDS 503).

O facto é que depois de 1925 ainda existe um projecto do livro Arco de Triunfo que corresponde a um corpus mais restrito e muito coerente do Álvaro de Campos sensacionista, integrando as três odes Triunfal, Marítima e Marcial mais Saudação a Walt Whitman e A Passagem das Horas, acompanhado de um esboço de prefácio em que se remete o leitor, curioso de conhecer a teoria estética que o informa, para o Ultimatum e para os Apontamentos para uma Estética Não-Aristotélica (PAC 41).

É um projecto acalentado, pois, ao longo de mais de dez anos, e que tentou ser finalmente realizado na edição dos poemas de Álvaro de Campos que Cleonice Berardinelli preparou em 1990.