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Agostinho da Silva (1906-1994)

George Agostinho Baptista da Silva nasceu a 13 de Fevereiro de 1906, Porto, e faleceu em 3 de Abril 1994, Lisboa. Parte da sua infância foi passada em Barca de Alva, mas fez todos os seus estudos no Porto. Em 1924 inscreveu-se na primeira Faculdade de Letras do Porto, dirigida por Leonardo Coimbra, concluindo em 1928 a licenciatura em Filologia Clássica e doutorando-se dois anos depois na mesma Universidade com a dissertação Sentido Histórico das Civilizações Clássicas. Data deste período a sua proximidade com a revista A Águia, de que foi um colaborador muito regular entre 1926 e 1929, com mais de uma dezena de textos, não chegando todavia a assumir funções de direcção na revista como aconteceu a outros colegas seus de faculdade (Adolfo Casais Monteiro, Delfim Santos e Sant’Anna Dionísio). A sua colaboração no órgão da Renascença Portuguesa, que se estendeu à revista Princípio, versou temas filológicos e de cultura clássica, no que se aproxima de Teixeira Rego, que chegou a manter controvérsia filológica com Carolina Michaëlis de Vasconcelos nas páginas da revista em 1915, e que foi o professor da Faculdade de Letras do Porto e o membro da Renascença Portuguesa que mais marcou o jovem Agostinho da Silva.

Depois desta primeira fase, Agostinho veio para Lisboa, aproximando-se do grupo da Seara Nova e de António Sérgio e desenvolvendo uma intensa actividade pedagógica. Publicou entre 1936 e 1944 centenas de textos de divulgação nas mais variadas áreas, organizando as colecções Cadernos de Iniciação, Biografias, Antologia de Divulgação Cultural e À Volta do Mundo, esta especialmente virada para a juventude. A vasta actividade educativa destes anos trouxe graves problemas ao autor, que, proibido de dar palestras públicas e de leccionar no ensino público, preferiu abandonar o país, partindo para o Brasil. Aqui desenvolveu pesquisas em entomologia e parasitologia, impulsionou a criação de novas universidades e de centros de investigação, adjuvou a política cultural externa da Presidência da República e tornou-se cidadão de nacionalidade brasileira (1958). É no Brasil que publica dois dos seus textos capitais, Reflexão à Margem da Literatura Portuguesa (1958) e Um Fernando Pessoa (1959), mostrando no primeiro aquilo que se pode designar por ‘tropicalização’ do seu pensamento pedagógico, com uma inflecção do racionalismo clássico da sua primeira formação para um novo visionarismo futurante, muito lúcido e pragmático todavia, a que a heterodoxia espiritual de Jaime Cortesão (seu sogro de resto) não foi decerto alheia, e tornando-se no segundo um dos mais exigentes e pessoais leitores da poesia de Fernando Pessoa, sobretudo daquela que mais afim lhe era do pensamento, em primeiro lugar a de Caeiro, com o culto paraclético da criança eterna e nova no célebre poema oitavo, e depois a de Mensagem, com a extraordinária releitura cosmopolita da ideia de Quinto Império, de que Agostinho foi na parte final da vida o mais criativo e dinâmico prossecutor.

 

Bib: BORGES, Paulo, Tempos de Ser Deus. A Espiritualidade Ecuménica de Agostinho da Silva, Lisboa, Âncora, 2006; MANSO, Artur, Agostinho da Silva. Aspectos da sua Vida, Obra e Pensamento, V. N. Gaia, Estratégias Criativas, 2000; PINHO, Romana Valente, Religião e Metafísica no Pensar de Agostinho da Silva, Lisboa, IN-CM, 2006.